sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Da Música para a Medicina. Permanece a sensibilidade.


@rodrigoocariz pertence a minha turma de Medicina atualmente. Rapaz de 20 anos, sorridente. Veio transferido de uma faculdade de Medicina do Rio no início do ano de 2010. Começamos a nos aproximar pela internet e numa das conversas para conhecer melhor meu novo colega de classe, ele conta sobre sua convicção de estudar Medicina. Mas essa certeza nem sempre existiu.

Eu desisti da Música pra fazer Medicina! É sério! Tinha o cabelo na cintura e já tocava violão aos 7 anos. Iria fazer Instituto Souza Lima em São Paulo e tentar uma bolsa na Blerkley em Boston. Queria ser maestro. Tentaria regência e composição.

As coisas foram mudando. Comecei a conversar muito com músicos. Falei com o maestro da Orquestra do Teatro Abril na época em que a versão em português do Fantasma da Ópera estava em cartaz. Ele me contou que tinha se formado na Unesp em regência e composição. Exatamente como eu queria. Ao me explicar sobre a trajetória que teve de seguir para ser maestro, fui desmotivado. São só 8 vagas por ano nessa Universidade e piano é instrumento obrigatório para o curso. Geralmente, os que entravam eram aqueles que tocavam o instrumento desde os 4 anos.

Meu pai* viu que eu estava em dúvida. Ele é o médico cirurgião Félix. Começou a me levar pra assistir as cirurgias que ele efetuava. Fui gostando cada vez mais!

Certo dia, fui num casamento. Um amigo do meu pai veio me perguntar se queria ainda fazer Música. Falei que cogitava fazer Medicina e ele me replicou assim: “Você pode ser médico e músico, mas você não pode ser músico e médico".

Fiquei com isso na cabeça. Fiz os vestibulares. Não tinha passado em lugar nenhum. A seletividade para Medicina era tão grande como para a Música e isso aumentava as minhas dúvidas. Foi então que um dia, cheguei em casa e vi uma foto em cima da mesa. Era de um menininho, sabe? E nela estava escrito com letra de criança:

“Para Tio Félix: Deus criou a terra, o céu e o mar, e criou você pra poder me curar.”

Quando eu li isso eu tive certeza que queria Medicina.

Nos momentos de alívio das matérias da faculdade, vou à casa do Rodrigo para tomar chocolate quente e o ver tocar violão. É bonito! Arrisco dizer que nunca vi alguém tocar igual. Ele não pula nenhum acorde e não é necessário cantar a música para saber qual é.

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*O pai do Rodrigo é o Doutor Félix Carlos Ocáriz Bazzano. Cirurgião pediatra, atual reitor da Faculdade de Medicina de Pouso Alegre – MG. Professor da Faculdade de Medicina de Alfenas – MG. Cirurgião pediatra do Hospital Alzira Vellano de Alfenas – MG. O primeiro, e – até então – único, médico a separar duas crianças siamesas no INTERIOR de Minas Gerais.

3 comentários:

Bárbara (Akyra) disse...

Saudade que eu tava disso aqui!!!

André disse...

Rapaz, eu também estava com saudades disso aqui! Rsrsrs

beijocas

.ailton. disse...

que bom que vc voltou a postar com frequência.
e que bela história!