sábado, 13 de junho de 2009

5 minutos com o Fernando.

Quem é ele?
Meu vizinho, amigo, irritante.
...
Ele: Quem vem primeiro: O ovo ou a galinha?
Eu: O ovo. Porque os répteis vêm antes das aves e eles já botavam ovos.
Ele: Quem vem primeiro: O ovo ou os répteis?
Eu: O ovo porque ele parece com um cisco redondo e o cisco redondo vem primeiro.
Ele: Quem vem primeiro: O ovo ou o pó?
Eu: O pó, porque ele é uma figura simples.
Ele: É por isso que o pó é tão bem falado no Rio de Janeiro.
...
Eu: Não sei para quê tanta rede de relacionamento. Tem um século que não entro no meu twitter. O meu Orkut só tem gente falando que tá com saudade e de quem eu quero recado mesmo, não tem recado.
Ele: Quer dizer que você mantém um Orkut só com a desculpa de trepar?
Eu: Ahn?
Ele: Você não falou que só fica esperando a figura de um cara lá te cortejar? Então.
Eu: Ahn?
...
Ele: É engraçado ver as pessoas mudando assim de repente. Você era uma pessoa mal realizada profissionalmente e com pensamentos a frente da sua idade. Agora você vira Doutora e cheia de idéias retrógradas.
Eu: Ahn?
Ele: Uai é. Acabou de me falar que quer ir para a Amazônia cuidar de indiozinho. Tão simples cuidar de quem tem dinheiro!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vizinhança violenta? Ouvido violento? ou Pensamentos violentos?

Eu acho que ouvi um assassinato aqui perto de casa.

Era noite. Eu, na fortaleza dos meus muros e grades, tomo todos os barulhos como desestabilizadores.

Primeiro foi um tiro. (Não sei como é direitinho o barulho de um tiro, mas era um barulho próximo daquele que acredito ser de um tiro).

Depois ouvi um grito.

Um cachorrão começa a latir alto.

Aí um chicote corta o ar e o cachorro faz um “Auuuuuuuuu!” triste de mais como se sentisse muita dor.

Meu estômago roncou. Não sei se de medo ou de fome.
Era barulho de mais para uma pessoa tão acostumada a processar Solidão e Silêncio!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vida.

Desculpa a minha ausência do blog gente! É que, como muitos já sabem, além de blogueira eu sou um protótipo de médica e tenho que estudar horrores!
Mas não é ruim estudar tanto assim não, se estudamos o que a gente gosta. Eu tô apaixonada cada dia mais pelo que eu faço, cada dia mais pela minha faculdade: Faculdade de Ciências Médicas de Alfenas – UNIFENAS (A primeira colocada no último ENADE entre as particulares de Medicina de Minas Gerais!). Inflei o peito agora! Mas é pela satisfação e o reconhecimento de que a instituição em que estudo cria um monte de projetos de extensão e propicia, até para os alunos do primeiro período, momentos que vão ficar guardados para sempre.

Essa semana eu presenciei um Teste do Pezinho no postinho de saúde em que faço estágio. Teste do Pezinho é um exame feito no quinto dia de vida do recém-nascido. Faz-se um big furo num little pé e é colhido sangue para identificar uma série de doenças.

Eu não furei o bebezinho não, mas eu ajudei a enfermeira a fazer o exame segurando firme uma pilustrica de uma menininha. Foi o meu primeiro Teste do pezinho!


A enfermeira Dona Terezinha fez uma compressa de água quente com uma luva de procedimento. Era para dilatar os vasos sanguíneos e preparar o local da picada. Eu, com essas mãos inexperientes para segurar criança, recebo um chingo da profissional de saúde:


_ Ela não é casca de ovo Mariana! Segura essa menina direito!


Apertei a piquitita mais um pouquinho nas mãos e contra ao peito. O bebê ficou de costa para a moça que colhe o sangue e de frente para mim. A menininha estava dormindo quando recebeu a picada. E de repente acordou... chorou, chorou e chorou.


Eu senti a dor da pequena nos meus dedos. Ela se retorceu todinha.


Enquanto se colhia as cinco necessárias gotinhas de sangue, susurrei baixinho tentando parecer menos malvada para aquele ser tão indefeso:

_Calma mocinha! Já passou. Essa foi só uma das dores que você vai precisar viver nesse mundo!

Não consegui ser mais consoladora.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Só existe um nome para isso: Assédio.

Boa parte do meu dia eu passo sozinha. Da casa para o fusca, do fusca para a faculdade, da faculdade para o supermercado, do supermercado para o fusca, do fusca para a casa, entre outros deslocamentos. Às vezes, têm coisas que acontecem comigo que não encontro uma testemunha se quer para confirmar qualquer absurdo que seja. Só sobra eu, o fusca e o acontecimento. O carro é quase sempre a minha única testemunha. Uma testemunha muda, mas uma testemunha, já que quando há testemunhas que podem falar, elas simplesmente se evaporam anônimas na esquina mais próxima.

Ontem eu estacionei o buzungão bunitinho na faculdade, próximo aos portões de entrada. Buzungão é o meu fusquinha. Ele toma banho regularmente e é um exímio exemplar conservado, ano 77 e que desperta admiração de muitos adoradores de Volks por aí.

Nós dois, eu e o fusca, chegamos adiantados na faculdade ontem. A gente ficou parado debaixo de árvores fresquinhas do estacionamento e como faltavam mais de meia hora para começar a aula, aproveitei o tempo livre descansando nos bancos da frente do carro. Eu dobrei os joelhos que se acomodaram no banco do passageiro. Pus um pano no caroço que machucava do freio de mão e acomodei o tronco do meu corpo. Abri a porta do motorista e deixei a cabeça para fora meio largada. Observava as fendas de sol que vazavam das folhas das árvores e ouvia O Teatro Mágico pelo walkman (Tá bom, eu sei que é mp3 mais o nome ‘Homem que anda’ é bem mais condizente ao aparelhinho que traz a voz de um homem andando com você).

No alto da empolgação - ouvindo a música Zazulejo, achando que o sol era todo meu e tocando violino no ar - chega um idiota de um passarinho e defeca bem na lente esquerda dos meus óculos. Ai que ódio! Quero deixar expressa aqui a minha revolta com as aves que pensam que o meu fusquinha é banheiro delas. Tudo bem que ele é um carro irresistível e com certeza um dos banheiros mais asseados que os passarinhos poderiam encontrar, mas será que não existe mil-e-outros lugares para eles fazerem as necessidades deles? O passarinho que cagou nos meus óculos com certeza era macho. Nem acertar o vaso sanitário - que os passarinhos convencionaram ser meu fusca – ele conseguiu acertar. Errou a mira e acertou os meus óculos. Que nojo!

Ótimo! Mas não só passarinhos amam fuscas limpinhos como moçoilas casadoiras também.

Muitas coisas acontecem num mesmo dia e nesse mesmo dia eu e o buzungão recebemos um bilhete. A aula da tarde tinha acabado, pegaria o carro para voltar para casa. Um papel curioso me aguardava no chão próximo a porta do motorista. Era um bilhete da Marília.


“Oi, meu nome é Marília vou me casar em outubro e estou procurando um carro bem bonito p/ me levar na igreja eu achei o seu lindo. Será que vc poderia fazer o favor de me ligar para ver a possibilidade. Meu nome é Marília e meu telefone é (xx) xxxx xxxx. Me desculpe pelo incomodo! Obrigada!”
Clique na imagem e a amplie para ler!

Bem, eu estou em dúvida. O bilhete pode ter sido para o carro esteve estacionado do meu lado. Contudo, são grandes as possibilidades do interesse de Marília ser pelo meu fusquinha mesmo. Eu já tive essa idéia antes: Chegar ao meu casamento num fusca branco cheio de coraçõesinhos vermelhos, latinhas amarradas atrás e um monte de gente jogando arroz. O bom é que o arroz escorre nas curvaturas redondas do carro. Se algum convidado joga arroz carregado de más vibrações, nenhum grão fica retido no fusca. Não hei de perder tempo e vou tratar de ligar logo para a moça. Nada, nada, posso estar diante da possibilidade de faturar cenzinho! Tlim! Tlim!

Meu pedido por paz mundial a la Yoko Ono.

(Essa postagem só tem sentido se for lida depois da postagem ANTERIOR.)

Povo safado!
Essa postagem é só para avisar que eu bem sei que os leitores desse blog gostariam de ver uma aplicabilidade das bed-ins por Mariana Martins. Quando leram o título já foram logo imaginando uma fotinha minha de branquinho na cama com macho e pedindo por ‘paz e amor’. Eita cambada de leitores ordinários que eu ando criando viu?

Como Yoko Ono deixou de me conquistar.

Como diria meu pai: “Viadagem dupla sô!”.

Gente é a última vez que cito o nome dessa artista nesse blog. Eu juro! Mesmo porque eu já acabei de ler sobre a vida dessa musa no livro ‘A vida das musas’. O problema é que depois de finalizar a leitura, descobri coisas decepcionantes sobre a mulher mais tonta de todos os tempos.

“Epa, epa, epa! Mas Mariana Martins você não estava elogiando as obras de Yoko nas quatro últimas postagens?”

Pensaram certo. Eu estava. Não estou mais!

A maioria dos fãs dos Beatles odeiam Yoko. O motivo principal é que ela fez uma lavagem cerebral no John Lennon e incitou várias brigas entre os integrantes da banda. Sou fã dos Beatles, mas não é por nenhum dos já conhecidos motivos beatlemaníacos que passei a repudiar essa japonesinha. O que ela fez de desgostante eu já explico.

É que essa mulher tinha a concepção retardada de que o sexo podia resolver exatamente todos os problemas sociais do mundo. Imagine uma teoria sobre o uso do amor e do sexo para combater os males do fascismo! São de Yoko Ono as seguintes argumentações nesse sentido:

“Se eu fosse uma garota judia na época de Hitler, eu me aproximaria dele e me tornariam sua namorada. Depois de dez dias na cama, ele iria aderir ao meu modo de pensar.”

Assim, o holocausto não teria existido se uma puta judia tivesse controlado os mandos e desmandos do ditador alemão. É delirante a idéia! Mas não bastasse esse pensamento, uma outra análise que Yoko faz sobre a pobreza é ainda mais estarrecedora:

“Deve haver uma linha a partir da qual isto (pobreza) se torna masoquismo. Estou certa de que há uma maneira de sair da pobreza e existe um ponto em que você decide sair ou não (...). É mais ou menos como dizer ‘estou passando fome, mas nunca fui puta’, o que significa que ela prefere passar fome a ser puta. Há certos tipos de regras que os fazem permanecer nesta posição.”

Simplesmente, Yoko pensava que ‘ser pobre’ para qualquer mulher seria uma condição opcional, já que qualquer fêmea pode optar por ser puta ao invés de passar fome.

É verdade mesmo o que acabaram de ler! Não estou inventando nada não e quem quiser conferir, informo até a página do livro:

Nome: A Vida das Musas.
Autora: Francine Prose.
Editora: Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 2004.
Página: 426.


Então? Já dá para imaginar qual era a melhor forma de lutar pela paz no mundo segundo a Yoko né? Acertou que disse “Fazendo sexo!”.

Junto com John Lennon ela criou a moda das “bed-in for peace”, campanhas pela paz que Yoko e o marido fizeram deitados na cama. O casal fez bed-ins em Amsterdã, Viena e Montreal. Eles provocavam os fãs com sua sexualidade, vestiam roupas castas de dormir e brancas. Os repórteres eram atraídos pela expectativa de observar um ato sexual, mas se deparavam com dois hippongas e sua bandeira noiada de ‘paz e amor’.

Pior que fazer ‘camas do amor’, é ver o casal argumentando de forma séria a importância das bed-ins:

“Somos todos responsáveis pela guerra. Todos devemos fazer alguma coisa, não importa o que seja – deixar o cabelo crescer, ficar de pé numa perna só, conversar com a imprensa, fazer bed-ins – para mudar as atitudes. Precisa-se conscientizar o povo de que só depende dele. As bed-ins são coisas que todo mundo pode fazer e são muito simples. Estamos dispostos a ser os palhaços do mundo para fazer com que as pessoas percebam isso.”

Então, com a licença de todos, vou fazer um ato simples pela paz mundial: Vou tirar minha cutícula do pé.
Vocês ficam com mais fotos.
The bed-ins.

Encarte do CD que Yoko e John gravaram juntos. O nome do álbum é ‘Two Virgins’ e além de trazer a foto dos dois peladões continha na gravação assovios, gemidos, lamentos, queixas e guinchos.

A capa do CD era o encarte envolvido por um papel, tipo papel de pão.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Minha tentativa a la Yoko Ono de produzir arte conceitual.

A importância de tudo depende da agregação de valores que se faz a esse ‘tudo’. Se você pegasse bundas cabeludas, por exemplo, nunca iria ver arte nisso. Mas Yoko Ono viu e agregou valor a essas bundas cabeludas. Mais ainda, nos mostrou que realmente eram obras de arte naturais.

Assim como Yoko convidou pessoas para verem fósforos acesos se queimarem até apagar, eu vos convido agora para ver o escaramujamento de uma pedra de feijão congelado.


Observar o brilho da pedra de feijão. Sinal que alguém realmente soube cozinhar ele bem! E mais ainda, soube com perfeição colocá-lo para gelar!

Observe a leveza da fumaça em contraste da dureza da pedra. É magnífico!


Analisar a quantidade diferenciada de bolhas da fervura. Alguns bagos já conseguem ser bem delineados. A água é corrompida pelo caldo feijinífero!


Ah gente! Desculpa, mas eu realmente me emociono. Snif!

Algumas outras criações de Yoko Ono.

Yoko foi uma artista legal. Ela não morreu ainda não, mas hoje já não é mais artista. Suas obras tinham sempre algo de transgressor, ousado e misterioso. Na verdade ela chegou a produzir coisas muito mais interesantes que uma mera escadinha com um ‘sim’ escrito em seu final. O John Lennon mesmo falava que a visão de arte de sua musa estava além dos conceitos normais e clássicos:

“Yoko me ensinou sobre Duchamp e o que ele fez (...). Ele pegou um porcaria de roda de bicicleta e disse: “Isso é arte, seus babacas!”. John. L.

Mais que uma roda de bicicleta, arte para Yoko eram bundas, fóforos, coisas cortadas pela metade.

Bem, deixe-me explicar isso logo.
Yoko Ono pertencia a um atuante grupo de artistas de Nova York, o Fluxus. Nesse grupo é que desenvolveu a maioria de suas telas e peças.

Em 1955, Yoko compôs uma “partitura” que envolvia fósforos acesos no palco para assisti-los queimar até se apagarem. A arte consistia apenas na simplicidade de fósforos se apagando.

Uma outra obra da japonesa, talvez a mais maluca de todas, foi um filme sobre a anatomia de bundas. O nome dele é “No. 4 Bottoms” e foi filmado em duas versões: a primeira apresenta as nádegas nuas de vários artistas, a segunda de 365 voluntários. O filme, segundo críticos, é hilário, instrutivo e surpreendentemente interessante em sua fria documentação de como a anatomia humana pode ser variável. Enfim, um documentário sobre como podem ser as diferentes morfologias de alguns traseiros peludos.

Entre outras produções de Yoko, registra-se uma importante exposição financiada por John na galeria Lisson. Ela se chamava “Half a Wind”. A brilhante idéia dessa vez, consistia em uma instalação composta de objetos tais como metade de uma cama, de um quarto, de uma cesta, de um abajur, de um quadro, etc., divididos ao meio e pintados de branco. John a teria sugerido: ‘Por que você não vende a outra metade em garrafas?’ E foi o que ela fez. Assim houve a exposição de um Lugar pela Metade e a venda de supervalorizadas garrafinhas com a outra metade das coisas que faltavam. Por exemplo, uma garrafa de vidro com a metade de uma cama em miniatura dentro.


Simplesmente a melhor representação do que cerca uma pessoa solitária, pela metade!


Entre 1965 foi a vez do espetáculo “Cut a piece”. No português, “Corte um pedaço”. Feliz do espectador que tinha uma tesourinha no bolso. É que na peça, Yoko - passivamente de joelhos no palco - pedia à platéia que cortasse pedaços de sua roupa com tesoura. Instruções a que os participantes obedeceram entusiasmadamente até que um homem cortou a alça de seu sutiã. Finalmente ela reagiu, cobrindo os seios.


Isso é arte, seus babacas!
Yoko Ono Lennon! Sou sua fã!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Minha tentativa a la Yoko de que alguém se apaixone pelo meu 'sim'.

¨¨





"o"




¨¬¨''''''''


¬ ''''''

:)
Sim!
(Não entendeu? Leia a postagem anterior.)

domingo, 26 de abril de 2009

Como Yoko Ono conquistou John Lennon.

Se lembram daquele livro que eu estava lendo: ‘A vida das Musas’? Aquele em que tirei algumas coisas instigantes do Salvador Dalí para o blog? Então, não terminei ele ainda não. Inclusive, essa semana, li sobre outra Musa que não é Gala Dalí, mas Yoko Ono.

Primeiro; Quem é Yoko Ono?
Yoko Ono é uma japonesa, simplória artista, que ficou famosa por se envolver, casar e ter um filho com o Beatle John Lennon.

Apesar de Yoko ter produzido obras interessantes, a fama dela é só de mulher de um cantor famoso. Mas há de se perguntar o que ela tinha de diferencial para pegar um Beatle. Sim, porque na época a banda fazia um sucesso danado, haviam milhões de beatlemaníacas e John Lennon podia pegar a mulher que ele quisesse.

Yoko Ono, com certeza, tinha uma esperteza incomum. Quando foi apresentada a John Lennon numa Galeria de Arte onde expunha sua obra, disse desconhecer o trabalho do músico. Tipo: “Nunca ouvi falar em Beatles!”. John, como todos os homens, também devia gostar de mulheres difíceis. É certo que tenha pensado: ‘Epa! Essa aí não é igual as minhas tietes que se descabelam durante um show!”.

Acrescido a sua indiferença, Yoko conquistou Lennon por suas obras enigmáticas. A primeira obra que o músico apreciou é apresentada aos leitores desse blog pelas palavras do próprio beatle:

“Houve uma peça que realmente me fez decidir entre ser a favor ou contra a artista: uma escada que conduzia a um quadro suspenso no teto. Parecia uma tela negra com uma corrente que tinha no fim uma lupa pendurada (...). Subi a escada e, ao olhar através da luneta, via-se escrito “sim” em letras miudinhas. Era positivo, então. Fiquei aliviado. É um grande alívio quando você sobe um escada e olha por uma luneta e lá não encontra um “não” ou um “foda-se” ou algo assim; lá estava escrito “sim”.”


Oferecida! Isso sim! Essa musa do meu livro arrumou um jeito de dizer “sim” muito antes de chegar ao altar. Espero que o post sirva às mulheres por ensinar como agarrar um homem com inteligência e muita desenvoltura. Algo bem diferente dos conselhos da revista Nova ou Capricho. Libertem-se disso queridas leitoras! ;)

sábado, 18 de abril de 2009

Vejo um cadáver em você!


Não faz tanto tempo assim que morria de medo de velório. Sério mesmo! Quando eu era piquititinha então, nussa senhora! Passava bem longe. Tudo por causa da minha vó Bina que era uma doida varrida e contava umas histórias cabeludas da origem dos brincos de coco e ouro que ela negociava. Eu explico isso direito. É que a minha falecida vovozinha tinha um hábito estranho de presentear todas as mulheres da família com um brinco antigo de ouro com cabacinha de coco. Ele era igualsinho para todas as suas filhas e para todas as suas netas. A vovó conseguia esses brincos comprando de senhoras velhas que viviam na roça - antigas colegas ou conhecidas dela - que também pareciam cultivar a tradição do brinco. O meu eu ganhei com uns 5 anos, mais ou menos. Mas eu me lembro suficientemente bem da Dona Bina contar que ele foi negociado durante um velório em que a jóia se encontrava na orelha do defunto: uma meninha de uns oito anos. A vó inventou uma história de que no céu a gente entrava pelado e quem usava brinco ou qualquer jóia, mostrava que era gente rica e por isso devia ficar no final da fila dos candidatos ao reino de Deus. Pelo menos tal discurso convenceu a mãe da menina morta a enterrá-la sem brinco. Depois, com mais um pouco de lábia, vovó teria convencido a mulher a lhe vender o tal brinco. Por fim, lá estavam um monte de mãos de adultos nas minhas orelhas tentando colocar dois pedaços brilhantes e coçantes em mim. Como se eu fosse um boizinho precisando ser marcado com um traço familiar identificável.

O pior de tudo isso é que eu cresci até meus 11 anos, mais ou menos, sem poder usar qualquer outro brinco. Falavam que eu tinha alergia a bijuteria, entre outras desculpas. Por aproximadamente uns seis anos de vida – dos cinco aos onze anos - eu carreguei a culpa absurda de usar o acessório de um defunto. Acabou que esse acontecimento foi um agravante desencadeador de uma crise exagerada de repulsa por gente morta.

Até três anos atrás, eu tinha ido apenas a único velório: o do meu avô, pai de mamãe. E lembro que fiquei quietinha num canto bem distante do caixão. Assentada num sofá verde escuro, ainda lembro da minha mãe debruçada sobre as mãos gélidas do vovô. Eu achava um absurdo aquele contato com gente morta. Nojento? Talvez. Resquício do efeito ‘brinco de defunto’? Talvez. Havia também um receio de enxergar aquilo que sobra de alguém depois que não existe mais a vida. E de fato, evitei a mão de minha mãe por um mês depois daquele dia.

O tempo foi passando. Muita gente nasceu, muita gente morreu. Eu fui a mais alguns velórios, mas sempre evitando a cara do defunto. A vó Bina continuava com suas histórias malucas. Ela contou, uma vez, de um homem que eles achavam estar morto e que quase no momento de fechar a tampa do caixão, ela percebeu que ele estava respirando. Desde então, vovó inventava uma fadiga para com o véu que cobria o defunto e usava isso como desculpa para levantar essa cobertura e averiguar a respiração do morto. Fadiga era o que me dava quando ouvia essas coisas, isso sim.

Eu cresço mais um pouquinho, mais gente morre e eu entro na faculdade de Biologia. Achando que iria estudar plantas, animais e células, começo a ver pedacinhos de gente na matéria de Anatomia. Os cadáveres inteirinhos ficavam numa outra sala ligada por um corredor pequeno que distanciava os estudantes de biologia dos de enfermagem e fisioterapia. Alguns pedaços tinham semelhança com porco. Tocar nesses, mesmo munida de luvas de látex, dava uma sensação até que familiar. Tudo se assemelhava as estruturas das porcas que o vovô - pai do papai - matava lá na fazenda. Eu corria para salvar o coração da lata de carne destinada a fazer picadinho. Tudo para abrir e confirmar a existência das válvulas bicúspide e tricúspide que a gente estudava em biologia na escola.

Porco é porco e pedaço de gente que parece com porco, a gente disfarçava que também era de porco e conseguia estudar. Só que de repente, numa aula, apareceu um braço de gente em cima da bacia metálica na mesa de estudo dos alunos da biologia. Aquilo não parecia nada, nada com porco e tinha unhas! E não só unhas, rugas típicas de mão humana, dedo indicador e polegar - que em vida - podiam fazer movimento de pinça. Só humano faz ligação de polegar com indicador (Livro: 'O Polegar do Panda'). Aquele braço, definitivamente não era de um macaco, apesar de ser cabeludo. Começavam a surgir respostas para a dúvida que eu tanto evitei saber: ‘O que sobrava de alguém depois da vida?’. Nesse dia, eu já sabia responder parcialmente. Sobrava uma mão dura, sem ternura nenhuma, seca e sem cheiro bom.

O choque maior eu tive quando estudei a cabeça. Logo depois veio o contato com os cadáveres inteiros, uma junção dos pedacinhos de porco com braços, pernas e cabeça. Mas era justamente essa última que me trazia para o limite mínimo do que é vida e morte. É pela cabeça que você identifica uma pessoa. Já não observaram em depoimentos na televisão, que a pessoa quando não quer ser identificada recebe uma tarja para esconder a face? Então. O cadáver não recebe tarja nenhuma e você consegue identificar feições nele. Um dia aquela pessoa ali sorriu, amou alguém, chorou. Naquele momento sem vida ele era exatamente como qualquer um dos meus coleguinhas de sala. Mas em posição estática, com músculos relaxados. Por um instante, vi um cadáver em cada um deles e nada mais.

Hoje, estudando Medicina, passo umas oito horas por semana vasculhando cantinhos do corpo humano no Centro Anatômico. Já não tenho nojo do que vejo. Vez ou outra, até sem luva mesmo, arrisco cutucar alguma estrutura ou outra que não esteja encharcada de formol. As minhas reflexões sobre o que é vida e morte acontecem silenciosas quando estudo algum deles. São 27 diferentes cadáveres na faculdade. Esses dias para traz, estudei Sistema Circulatório em uma jovem que podia ter exatamente a minha idade. Cada dia tenho menos sensibilidade de ver vidas anteriores nesses cadáveres. O curso molda um monstro em mim e ao invés de ver vida em cadáveres eu vejo cadáveres em seres vivos.

Tudo se tornou uma nóia séria quando a Vó Bina morreu. Foi no segundo semestre do ano passado. Eu vi e toquei o rosto dela. Quis muito que ela voltasse a respirar até o último momento em que puseram a tampa do caixão dela. A única coisa para constatar que ela estava morta era ausência de ar e sangue corador. Do contrário, o cadáver era o mesmo corpo vivo. A partir daí, a resposta para ‘O que sobrava de alguém depois da vida?’ não encontrei mais no corpo de ninguém. Com certeza sobrava algo mais do que o mesmo corpo de vida.

Hoje eu olho um pé vivo e vejo veinhas, arteriasinhas, ossos do tarso, metatarso, falanges, bainhas tendíneas, músculo extensor. Olho uma barriga de bêbado e vejo um fígado bem posicionadinho e detonado. Olho a face de uma modelo e vejo um zigomático bem delineado, uma cartilagem nasal pontudinha, uma caveira com parietais achatados. É locura eu sei! Vou procurar o psicólogo da faculdade logo, logo. Porque isso tende a prejudicar até a minha vida afetiva/reprodutiva. Imagina ver um pênis e imaginar espermatozóides percorrendo o epidídimo, depois o ducto deferente, o ducto ejaculatório, ureta. Ai, ai! Como diria o Felipe: ”Algo deveras brochante!”. Assim a linhagem Martins Ferreira estaria totalmente comprometida, coisa que a vovó não iria querer jamais. Na verdade, o que ela sempre quis - inconscientemente - foi que eu evitasse coisas complexas como lidar com a morte de perto. Eu devia ter usado aquele brinco por mais tempo. Era como se esse objeto fosse uma cela que me prendesse ao medo de conhecer aquilo que sobra de um corpo tão sem super poderes.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Bolo!!!!!

BOLO PARA MIM!!!!!

Se você sabe aonde é a minha casa em Divinópolis, favor aparecer lá dia 09 de abril, 7 horas da noite, para me dar um abraço e comer um pedaço do meu bolo. Não vou fazer convites específicos, então deixo extensivo para todos que lembrarem do meu niver (que é hoje) ou a quem o orkut ou o blog ajudar. Você será muito bem vindo. O bolo é de chocolate branco e o abraço tem que ser bem apertado!