domingo, 8 de março de 2009

Boi, boi, boi... boi da cara preta! Pega essa menina que tem medo de careta!

Clique na imagem e a amplie!

Esse negócio de contar carneirinho para dormir, para mim, é algo assim meio... abstrato.

Quando era possível manter em casa um gato de TV à cabo, aqueles canais de venda de boi me eram muito úteis. Boi p'ra lá, boi p'ra cá, o apresentador ia repetindo os predicados do garrote a venda. Tudo soava feito canção de ninar. Chegava certa hora da madrugada que viajava questionando que quantidade imensa era aquela de bois que desfilavam na telinha, sendo que era um boi só que ia e voltava em repetição da mesma imagem. Eu amolecia e dormia feliz com aquela sensação boa de cansaço, parecendo que uma boiada realmente havia passado pela minha cabeça.

Na insônia vale tudo. Ler, ver lua, cortar unha do pé, bater vitamina de goiaba e leite. Como é madrugada e o liquidificador é barulhento, chocolate quente é bom, pelo menos mais silencioso.

Tem gente que espera o sono chegar no escurinho. Eu, pessoalmente, deixo uma luzinha acesa na casa. Vai que o sono anda perdido no meio da casa mesmo, se houver luz ele encontra quem o espera.

Ligo a luz do terreiro. O chato é que não tenho mais canal de boi e não tem goiaba, muito menos leite na geladeira. Lua? Eu estou com trauma de luas (ver tópico abaixo). Ler? Meus livrinhos acadêmicos grossinhos me sugam qualquer vontade de ler.

Ligo o rádio do telefone e descubro em meio a tantas estações de rádio sertaneja dessa cidade um especial do Ray Charles na rádio Universitária. Puts! É blues! E o problema que eu tenho com isso é que quando eu ouço blues, a última coisa que dá vontade de fazer é dormir. Naquele momento eu desejei vestir uma camisola de cetim preta bizarra que a minha mãe tem, colocar um ray ban, passar um baton vermelho sangue, pegar a vassoura e dançar, dançar a casa inteira! Ai que ódio! Eu preciso dormir e não dançar, porque se não, amanhã eu viro um bagaço perambulando na faculdade.

Desligo o rádio, vou tentar não pensar em nada. O melhor é olhar para alguma coisa que não me faz lembrar de nada. Aí eu olho para o teto. Só vivencio meia fração de segundo sem pensar em nada. Começo a analisar as pururucas de areia no reboque do teto. Traço estrela, traço patinho, nenhum desenho muito elaborado, nada de sono vir. Desenho uma cobra, uma galinha com pintinhos. Nenhuma cosquinha de sono.

De repende, depois de muitos desenhos (na verdade nem tantos assim), encontro um rabo. Um rabo e depois um chifre. Um boi se forma do nada! Um boi que ainda dava sorrisinho! O sono chega, a cabeça acomoda no travesseiro. Dormirei feliz essa noite por ainda existir um boi para me fazer dormir.

terça-feira, 3 de março de 2009

Indecência de céu.

Sexta, dia 27/02.

Quarenta e poucos degraus me distancia da casa dele.
Um minuto... degrau nenhum me distancia da casa dele.

_Vamos para BH?
_Hoje?
_Agora!
_Mas tá de noite já. Que horas a gente volta?
_9 horas da manhã, no domingo.
_Noite de sexta, noite de sábado por lá? Uau! Quais são os planos?

Sem resposta verbal ele vai com os dedinhos gordinhos no teclado fininho do computador de mesa dele. Dedo no w w w, ele abre o site de um lugar supimpa para cultura alternativa. Na sexta iria ter show de uma banda que eu nunca ouvi falar. Nunca tinha ouvido cantar também, até o momento que ele abre o myspace e põe rodar o som maluquete. O som não motiva, nem desmotiva. Mas me propor ir para BH é que nem propor brigadeiro para criança. As tripas dão pulinhos de alegria, o estômago pesa. Porque nós dois sozinhos num lugar muito longe de casa somos perigosos. Não custa perguntar:

_A gente vai como?
_Fusca. Eu banco toda a gasosa.
_Tá louco! E vamos ficar onde?
_No apartamento de uma amiga minha, ela me emprestou a chave.
_Não vou. Não conseguirei convencer meu fusca de levar a gente até lá.
_Ônibus?
_Balanga, eu enjôo, morro e tu fica sem mim.
_Medrosa!

Saio sozinha e elaboro muitos argumentos interiores para me convencer de que as poucas luzes noturnas de Divinópolis me eram suficientes naquele dia. Ele liga algum tempo depois.

_Olha p’ro céu e aprecia o presente que eu te mando da janela quadrada de um Teixerão* rumo a BH.
_Onde? Onde?!
_No lado que o sol se põe ou nasce, sei lá. Estou sem bússola.
_A lua?
_É.
_Uma lua comendo uma estrela?
_Sim. Escolhe quem você é?
_A Lua.
_Eu estrela.
_Nem se empolgue que a minha consciência de Sol já está dissolvendo essa paisagem.
_O sol demora a vir.
_Então cuidado com as Luas de BH.
_Você tenha o mesmo cuidado com as estrelas de Alfenas.

* Vem de 'Teixeira'. Nome da empresa de ônibus mais usada (se não a única) para ir de Divinópolis (MG) à Belo Horizonte (MG).

domingo, 1 de março de 2009

Apesar de ter blog eu pulo carnaval.

É, eu estou com os dedinhos pinicando mesmo para escrever esses dias. O pensamento também está pinicando. Na verdade é tempo e internet em casa o que me permite postar e ler alguma coisa nessa blogosfera. Sem falar que não tem nenhum livro grossão de Bioquímica ou Histologia perto de mim para sugar meu momento criativo. Eu estou no meu raro momento de descanso senhores. Nada melhor que descansar escrevendo. Nem venham reclamar que eu posto uma vez na vida e outra na morte porque o ato de blogar, para mim, não é compromisso.
No descompromisso então, ponho-me a refletir que blog não deixa de ser um Orkut mais elaborado com palavrinhas.

Há blogs que colecionam comentários como se fossem scraps. Há blogs que colecionam várias formulações de ‘quem sou eu’ como no perfil do orkut. Há blogs que simplesmente existem para levantar a bandeira de intelectualismo: “Ah, eu penso, porque eu escrevo, porque eu tenho blog”. Esses últimos são como uma comunidade.

O meu ex, não mais atual, nunca mais futuro, namorado: Felipe Lacerda conserva mandando alguns alardes por e-mail mais ou menos assim: “Venha conhecer gente que pensa! Acesse http://www.espalhandocancer.blogs.sapo.pt/.!”. Para efeitos propagandísticos a coisa funciona bem. Sempre caio no blog dele quando recebo o e-mail. Agora é inevitável a minha crise sináptica ao questionar a mim mesmo se eu posso ser considerada um ser pensante. Claro, porque eu tenho blog e pertenço à rede de gente que ele pertence: de blogueiros, e mais, de Divinópolis.
Confesso me acometer de uma risada seca.

O embate que eu aciono é o seguinte: Há Bandeiras, e há Bandeiras. Enquanto existe a Bandeira do itelectualismo, das pessoas que se julgam pensar; também existe a Bandeira da cultura massante, do senso-comum, do povo que pula carnaval, que faz festa no ônibus de Itaúna. Nenhuma melhor que a outra! O que incomoda o meu pensamento é a alfinetada gratuita que parte da bandeirapensantejulgosuperior, por exemplo, contra a bandeiraburrasemblogquepulacarnavaljulgoinferior.

A pulga saiu de traz da orelha e foi parar na boca quando eu abri um texto no Descritor. Era sobre um projeto terrorista para destruir uma cidade que caiu na perdição de pular carnaval. O autor, com certeza parte da bandeirapensantejulgosuperior, falou que trio elétrico desova coisa apodrecida no ouvido das pessoas. Para ele carnaval agora é “ferida da humanidade”. O plano terrorista consistia em 116 ressonadores ligados a uma cidade. Eles seriam acionados em fevereiro por um trio elétrico que passasse nas ruas. Em abril, as ondas sonoras teriam abalado toda a estrutura da cidade e ela cairia por terra.

Eu pensei que era só o personagem Ana que tinha toda a prepotência de detonar o carnaval, mas o autor não se limitando a historinha da malvadinha personagem, já tinha soltado um outro texto em primeira pessoa aquém da minha humilde capacidade de entender tanta amargura. Com uma arma o escritor atirava, para não sobrar nada, no expoente de brasileiridade que é o carnaval. Quem pula carnaval, para ele, não tem cérebro. Nas palavras do autor carnaval é: “A soma anual para anestesiar nossa capacidade de fazer perguntas, sentir angústias e evoluir.”

Capacidade de evoluir para onde? Sinceramente Cochise é essa a pergunta necessária que me sobra fazer. Será que um ser evoluído é só o homem que escreve sinfonia, ensaio sociológico ou psicológico? Eu lhe respondo que não. A produção intelectual é, muitas vezes, sem fundamento algum e te leva para uma sensação de ignorância imensa quando você questiona por exemplo, origem de vida, origem de mundo. Talvez a produção de Alegria (em festas de carnaval ou nos ônibus de Itaúna) seja tão inteligente e utilitária quanto a produção que se segue pela razão. Na alegria, endorfina é liberada no corpo, o coração bate melhor, doenças são evitadas. Num contexto sociológico, na folia de Carnaval as pessoas ampliam suas relações sociais, os vínculos de interesse. Enfim, a percepção de ridículo e improdutivo depende do ponto de vista. Um homem vestido de mulher beijando todas numa noite de folia, pode ser tão ridículo quanto um intelectual sobre luz de leitura fazendo questionamentos existenciais.

Como se diz a Lady Katy: “Epa, epa, epa! Fala assim do Salsich...ops Carnaval não!”.

Sim, eu defendo o carnaval e desejo para todo mundo a oportunidade de subir uma ladeira da cidade de Ouro Preto ao som de uma bateria estonteante. A luz daquele lugar é diferente, a vida tem nova concepção.
Tudo bem que nem todo mundo vai quer essa noite de folia e eu respeito isso. Aí está a graça da coisa. As diferenças equilibram os espaços. Agora PENSAR não é definir que um lugar é melhor que outro. Pensar é achar seu jeito de sossegar o coração e a cabeça. Você pode sossegar a mente lendo milhões de livros ou indo em milhões de festas. O conceito de INTELIGENCIA está na capacidade de produzir e viver algo para o seu próprio bem estar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Master, Plus injustiça.

O banco de esperma para boi funciona assim: pega-se o material dos melhores e mais resistentes animais para ser congelado e vendido a lances caríssimos em leilões. Em banco de esperma de gente o quesito ‘resistência’ não costuma ser muito observado. O material mais procurado é aquele que origina ser humano loirinho e de olho azul.

O certo de fazer banco de esperma de gente era pegar esperma de pobre e não esperma de loiro rico. Darwin me daria voz e razão para afirmar que esperma de pobre é mais resistente. O único jeito de pobre viver e ver seus filhos crescerem é não tendo doença nenhuma. Adoecer implica em gastos para desadoecer. Às vezes se gasta muito. Muito mesmo! Nó máximo, no máximo, é permitido ao pobre adoecer de gripe, dor de cabeça e caganeira. Pé rapado que se atreve a ter doença de rico, morre.
É aí que a seleção natural de pobre resistente, produtor de espermatozóide resistente, tem total fundamento. Por serem privados de atendimento humanitário de saúde, pobre que adoece não sobrevive.

Toda reflexão começa nas minhas sólidas observações de que saúde é um comércio sujo, voltado exclusivamente para quem tem dinheiro. Em Medicina observa-se evolução em tudo quanto é área. Equipamento novo para tratar unha encravada do dedo mindinho e o escambal. Mas tudo p’ra quem pode pagar e render lucro os medicozinhos.
O meu primeiro período cursando ciências médicas me permite observar um monte de jovenzinhos já matutando como vão recuperar os R$3718,00 (Três mil setecentos e dezoito reais!) gastos, por mês, para quitar a faculdade.

A ambição nas áreas médicas é obscena mesmo e parece que muita coisa podre advém disso. Eu estudei na disciplina de ‘Saúde infantil’ que tem teste do pezinho para pobre e teste do pezinho para rico. Teste do pezinho para pobre é o básico gratuito fornecido pelo SUS e identifica apenas 5 doenças. Teste do pezinho de rico pode ser o Ampliado, o Plus, o Master ou o Expandido. Vai do bolso e do gosto do freguês. O Ampliado identifica sete doenças e o Master mais de 16 doenças!

O teste do pezinho deve ser feito até o quinto dia de vida da criança, porque identifica doenças graves como a Galactosemia que exige ações imediatas sobre o recém-nascido. Um bebê com Galactosemia, por exemplo, deve ser imediatamente proibido de mamar, sujeito a morte se isso não acontecer. Um ser galactosemico tem intolerância à substância galactose presente no leite, porque não consegue metabolizá-la. O excesso de galactose no sangue do ser doente vai causar morte sem o socorro em tempo.

O teste do pezinho do SUS não identifica a Galactosemia. Pobre com Galactosemia morre simplesmente por não ser avisado que não podia tomar leite.
Pobre galactosêmico que, por sorte, juntou dinheiro para o teste Plus, morre também. A dieta na ausência de galactose exige suplementos caros. Sem dinheiro para comprar, passa-se sem.

O jeito é torcer para o espermatozóide ser bom para beber leite. Engraçado que, no boi, espermatozóide bom é para dar leite. Evitemos comparações para eu também não me complicar confundindo gente com animal.

A gente não muda muito não!

Encontrei na minha pasta de arquivos já publicados no blog uma autodescrição de mim mesma que na verdade nunca foi parar como texto nesse blog. Eu procuro evitar essas postagens meio ‘diário – emo’ no Chuva de Containers. Mas às vezes, é bom falar da gente mesmo, ainda mais quando se pretende deixar um blog para os netinhos lerem. O texto foi escrito em 2007 e apareceu algumas vezes na internet quando eu, Mariana Martins, era surpreendida pela pergunta “Quem sou eu?”.

Muita gente fica com firulas e versinho para engabelar essa pergunta. E ainda tem aquele que fazem pinta de misterioso na linha “Só sei que nada sei”. Tudo viadagem ou falta de criatividade, com já dizia meu curto e grosso amigo Matteus. Você é o que você cria. Se eu falar que sou astronauta, aí de quem brigar comigo que não sou.

Um segredinho: A gente só é interessante quando a gente é arrogante para falar que é Tudo. Mesmo que o Tudo seja fantasia, é muito bom lembrar que a gente é palco sempre, mesmo sem espectador.

Texto de 2007, pouca coisa é diferente. A toalha de banho ainda é verde. A unha cresceu, mas está lixadinha e bem feita. Os casos de apaixonamentos e desapaixonamentos superam cinco vezes. Minha irmã continua encalhada e decidi fazer Medicina, não Engenharia. Engenheiros do Hawaii era engraçadinho na minha época Pseudocult começando a blogar. Ah, eu adoro meu fusca de bunda redonda. As camisas do Che e de Minas Gerais ainda estão passadinhas e em bom estado de uso. Budapeste escreve assim mesmo e é a capital da Hungria que fica na Europa. Não tem nada de peste em Budapeste e se tiver eu ainda continuo sem saber. Não tenho mais dinheiro no banco para casar e talvez eu não aprenda tocar piano e sim gaita.

Tudo que um dia já quiseram (e ainda continuam querendo) saber about me (na íntegra):

Tenho uma toalha verde e não tomo banho sem ela.
Não como unha, mas não deixo ela crescer. Li em algum lugar que depois que a gente morre os cabelos e as unhas crescem. Como não sei quando vou morrer e não quero ter unhão mal feito dentro do caixão... tá aí a explicação.
Não tenho medo de barata, mas tenho muito nojo.
Já comi caranguejo, ostra, lula, caviar e rã.
Já me apaixonei e desapaixonei cinco vezes (duas dessas, pela mesma pessoa) por causa de frases Gessingerianas sussurradas ao pé do ouvido.
Gosto de alguém que nem sonha com isso.
Conheço o mar. Morreria se passasse mais de um ano sem vê-lo... e sem ver uma pessoa de lá também.
Não sei fazer comida.
Tenho mais amigos homens que mulheres.
Quero ter um Honda Civic preto.
Tenho uma irmã linda que está precisando de namorado p’ra parar de encher o saco da minha vida de encalhada.
Não decidi se quero fazer Engenharia ou Medicina. Na dúvida ainda continuo com a Biologia.
Eu também amo os Beatles e os Rolling Stones, acima de tudo e todos: ENGENHEIROS DO HAWAII.
Nasci com cabelo.
Aprendi a falar primeiro que andar. Até hoje não aprendi a andar direito.
Não consigo ficar mais de um minuto perto de uma pessoa sem falar nada.
Não passo creme de pele.
Só uso calcinha de algodão. Renda never.
Odeio perfume forte.
Odeio gente fresca.
Não aceito balas nem carona de estranhos (aprendi isso quando pequena, hoje vale para os marmanjos esnobes que pensam poder impressionar com um carro).
Não gosto de bebida.
Não ajudo nenhum amigo bêbado e não vejo a menor graça em contar vantagem porque bebeu.
Não suporto cigarro.
Adoro dançar. Funk, forró, bolero, de tudo.
Sou muito manoteira com foto. Já fiz cada coisa para registrar alguns momentos....
Toda vez que recebo dinheiro confiro na frente da pessoa se não é falso.
Sou pão dura mesmo!!! Um Honda Civic é muito caro e é necessário economizar.
Odeio carro com a bunda redonda.
Tenho uma camisa do Che.
Tenho uma blusa com a bandeira de Minas Gerais.
Sei em quem votei na última eleição. Vejo horário político.
Sou partidária do PT.
Já fui a um comício do Lula.
Já fui num show do Latino.
Já fui à palestra do Marcos Pontes.
Até hoje não acredito que se tenha gastado tanto dinheiro para mandar um astronauta nosso para o espaço. Incomoda-me ver, que, enquanto isso, há milhares de pessoas passando fome.
Ainda acredito no Mercosul.
Ainda acredito no Brasil.
Ainda acredito na educação.
Preocupo-me com o aquecimento global.
Procurei caderno de folha reciclável, mas não encontrei.
Não recebo folhetos de propaganda, para não poluir a cidade.
Já tive o sonho de ser gari.
Coloco nome nos meus sapatos. Sou viciada em sapatos.
Tenho uma caveira em meu quarto.
Meu violão tem nome.
Não li metade dos livros que disse ter lido, mas gosto de ler e ainda pretendo lê-los.
Não fui à metade dos lugares que disse ter ido e não pretendo nunca ir.
Sou apaixonada pela minha família.
Já dancei funk com a minha vó.
Já fui ver a piracema do Rio Itapecerica com meu pai.
Já acordei ouvindo uma serenata de sanfona do meu Vô: “Diga adeus Mariana que eu já vou embora...” Só aturo sertanejo se for ele que estiver cantando.
Meu padrinho encapa todas as goiabas no pé lá da roça para protegê-las dos bichos. Isso porque sabe como gosto da fruta.
Minha mãe corta minha unha do pé.
Já tive uma tartaruga (acho que cágado), um canarinho fêmea e um peixe desses que a gente pescava nas festas juninas. Todos morreram!
Não sei onde fica Budapeste... nem sei se é assim que escreve.
Não posso usar óculos escuros porque já uso de grau.
Se eu estiver sem óculos e passar por você, por favor, atire-se na minha frente para que eu lhe cumprimente. Caso contrário, desista.
Gosto de xadrez e tenho pavor de dama. (Culpa do meu pai que sempre rouba de mim)
Já tenho dinheiro no banco para casar. kkkk
Não quero casar.
Tenho TOC.
Gosto de vôlei.
Quero aprender tocar piano.
Quero escrever um livro.
Quero ficar rica... (não com o livro)
Quero um homem mais macho do que eu.
Não quero que ninguém me odeie, nem quero odiar ninguém.
Quero ser bem mais feliz do que sou!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Falta. Culpa. Presença.

É relevante contar para vocês leitores que a pessoa que vos escreve sempre fingiu de descrédula e debochadora de todas as crenças por cores, números, cheiros e afins. Isso faz parte se um disfarce de mulher segura, de fibra forte e senhora do seu destino. Acontece que a minha expatriação de Divinópolis expôs minha fragilidade. Nesse momento eu me curvo sobre um monte de palavras que escapolem sem controle da minha mão. O fato é que começo a crer e sentir falta das cores, dos números, do cheiro e da harmonia que eu vivia antes.

A inquietação é pela troca de vidas que me propus. Eu fui parida numa cidade que desconheço, no meio de muita gente que também é estranha. Desde o início, os planos eram de congelar meu mundo em Divinópolis para dar tempo de viver tudo aqui, em Alfenas; e depois, quando se passassem os meus seis anos de graduação, viver tudo por lá, em Divinópolis. Tudo sem que nada mudasse. A minha possessão consistia em impedir que ninguém vivesse nada lá (em Divi) enquanto eu não estivesse presente. Em desagrado, as pessoas que ficaram na minha terra continuam amando, trabalhando, planejando suas vidas.

Talvez a única forma de saciar parcialmente a minha ânsia por estar em dois lugares ao mesmo tempo fosse voltar todos os finais de semana para minha terra. Alfenas não tem ônibus com escala direta para Divinópolis. Quarta os meus olhinhos correram todas as placas de carro da Universidade. Foi uma busca louca e sem sucesso. Se eu quisesse ir para São Paulo encontrava muitas caronas. Nada sobre habitantes de solo conhecido.

Vontade de voltar eu tenho toda hora e não há um motivo certo para isso. Talvez seja por causa de gente que ficou, talvez seja por causa de coisas que não posso trazer. Talvez seja a concepção de lar que ainda não se transferiu para Alfenas.

Um mocinho que sentou comigo no degrau da escada de veterinária percebeu e questionou se o meu desatino tinha a ver namorado. Limitei-me a responder que não tenho namorado, mas evitei maiores detalhes. Ele não poderia saber da minha lista de desajeitos. Não me ajeitei o poeta torto sem lenço, sem documento, sem passaginha. Não me ajeitei com o Deus grego que andava de fusquinha branco. Não me ajeitei com o tarado do MSN que conheci num show do Gessinger. Não me ajeitei com o galanteador que me ligava em todas tardes de dias ímpares da semana. Não me ajeitei com o peão que dizia aparecer em Divinópolis só para me ver. Não me ajeitei com o meu herói de prisão de barraquinha.

Eu acho que eu não sei amar... mas ta aí uma coisa que eu sinto falta: Simplesmente sinto falta de gente que me ame. Ou finja que me ame.

Eu sinto falta de gente que me ofereça Trident de canela, que me fale que eu fico linda de vermelho. Eu sinto falta de uma casa para visitar de fusca nos finais de semana. Eu sinto falta de bocas p’ra beijar, de cheiros impregnando no meu pescoço. Eu sinto falta de gosto de sal do suor na minha boca, do vidro do carro embaçado. Eu sinto falta de receber flores, mesmo que estas sejam únicas e de plástico.

Eu sinto falta. Eu sinto falta, mas não quero tudo de volta. Eu sinto falta porque preciso reconhecer o que é necessário refazer de novo.

E assim Divinópolis você será temporariamente substituída. Querida cidade, por favor, guarde bem aquilo ou aquele que tem por sina ser meu, que tem por sina me pertencer. Eu sei que muita gente vai me esquecer, mas eu sei que ainda vai ter alguém a me esperar de braços abertos quando voltar. Aí, a vida começa de novo na sua intensidade merecida.

Eu escrevi esse texto na quinta, dia 19 de fevereiro. Mas quando fui tentar postar na lan house sexta dia 20, eu só salvei o rascunho e não o publiquei. Desculpa o embaraço senhores leitores!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Progressos Marianísticos.

Eu nunca saí de casa por mais de um, dois dias. Sou do tipo filhotinho garrado na barra da saia da mamãe. Essa semana, contudo, além de sair da casa eu mudei de cidade para estudar. O fato é que até então, comida, roupa lavada e casa limpa eram providências divinas que chegavam em tempo certo na minha mão. Tudo mudou, e muito!

A minha atual casa é pequena. Tem um quarto, uma cozinha, um banheiro e um quintal relativamente grande. Seria muito simples cuidar desse espaço não fosse o meu natural despreparo e meu estado de preguiça em evolução. Contudo, não posso mais fugir dos afazeres domésticos e até cozinhar tenho arriscado. Ontem mesmo, eu, corajosamente, experimentei um processo de faxina, lavagem de roupa, detetização e de cuidados com o quintal.

As mais simples coisas que acontecem com Mariana Martins adquirem um toque tragicômico anormal. Os eventos ocorridos no seu desempenho doméstico não poderiam ser diferentes. Acontece que muita gente chega duvidar da maluquices que narro aqui e muitos acham que é tudo conversa p’ra boi dormir. Para deleite dos meus amados leitores dessa vez fotografei tudo o possível, inclusive meu quase enfarte por causa de formigas. A lá Nelma e suas larvinhas.

A visita dos repugnantes seres carregadores de folha, que, na minha casa, carregavam era a minha açúcar, ocorreu no momento que eu lavava as vasilhas da gororoba do almoço.

1º a gororoba é claro! Com suquinho de uva para desembuchar com estilo. Detalhe nos muitos nutrientes evidenciados pela coloração dos componentes. (Mainhê! Nem vem que pelo menos tava nutritivo. Hehe)

Depois de qualquer gororoba tem-se o processo óbvio de lavagem da louça. Então uma formigona aparece isolada em cima da torneira. Eu pego a bucha de sabão e massago (eu sei essa palavra não existe, mas eu quero usar ela mesmo)... continuando ...eu massago a pobre da formiguinha com a bucha de sabão. Logo depois aparece mais duas e de imediato recordo que a situação não é estranha. Tem muito pouco tempo que dona Nelma, minha mãe, passou por descobertas gradativas de larvinhas tal como eu estava passando por descobertas gradativas de formigas. Com o preparo de experiências anteriores, eu descubro um aglomerado assustador de formigonas bem atrás da minha lata de açúcar. Como ato conseqüente, lá vai eu travar uma guerra na minha cozinha com um exército de trezentas delas. A arma que eu usei é hereditária de mamãe, o álcool. Mostrou-se muito eficiente no combate das larvinhas e agora, no combate das formigas também. Hehe

Formigas mortas p’ra quem quiser ver.

Então, limpar a casa foi só tacar água em tudo e puxar com rodo. Ok, eu ainda devo aproveitar esse post para comunicar à minha mãe que eu lavei todos os paninhos que usei para limpar a casa. Uma evolução, porque quando eu arrumava a casa para ela nunca dava fim na confusão de panos que eu usava para dar jeito em tudo. Ela vai ficar muito orgulhosa.
Ah mãe, eu lavei meu tênis!


E para finalizar esse tópico só quero aproveitar minha safra de fotos e mostrar a preocupação social desse blog e da autora. Eu eliminei os focos de dengue no meu quintal. Mamãe! Não precisa chorar de emoção! Hehe.
Combata da dengue você também!


E assim sigo aprendendo mais coisas úteis para a vida. Bjão para todo mundo! Em breve dou qualquer sinal de vida.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Iniciando as despedidas.

Foi meio abismática a situação que aconteceu comigo nessa semana. Eu estava em Itaúna (MG) cancelando uma bolsa integral de Biologia pelo PROUNI e encerrando a minha matrícula para o próximo semestre do meu curso na UIT (Universidade de Itaúna). Três pessoas lá do setor Administrativo da Faculdade perguntaram se eu tinha certeza do estava fazendo, já que era um ato irreversível no sistema do MEC segundo todos eles. Eu disse que sim, eu tinha certeza, mas os funcionários que me atendiam pareciam ler a insegurança que perpassava todos os meus pensamentos. Afinal eu estava abandonando, com 2 anos já concluídos, um curso superior totalmente gratuito e que de alguma forma, há dois anos de minha vida, eu quis. No mesmo dia do cancelamento tinha gente demais lá na Universidade. Gente com envelope nas mãos e papelada que faltava para tirar xérox, pais nervosos e filhos também. Ansiavam pela aprovação em uma entrevista que concederia a muitos jovens, que ali estavam, o direito de uma Universidade gratuita. A menina de cabelo castanho escuro e óculo chegou sem papelada nas mãos e logo chamou atenção pelo motivo de estar ali. Ela não queria mais a sua bolsa de estudo, ela queria cancelar o benefício.

Não !!!
A garota, que sou eu, não estava ficando louca não! E para aliviar o incomodo que a minha ação causava para as pessoas que sabiam da finalidade pela qual eu estava lá, tive de juntar minhas argumentações interiores p’ra revelar com orgulho a opção pelo meu sonho: Eu estou largando tudo para ser doutora senhores! Fevereiro agora eu parto para Alfenas e lá permanecerei pelos meus próximos 6 anos. Vou me formar médica urologista. (Bricadeirinha só para descontrair os ânimos de quem acabou de ficar triste ao saber que já não sou mais cidadã divinopolitana).

É meus amigos... eu estou feliz, mas desgarrar de Divinópolis não está sendo fácil e desgarrar dessa minha mole vida e de Itaúna também não. Foi só por o pé p’ra fora da faculdade que um filme de lembranças veio me cutucar. Passaram pessoas, amigos de sala, de cidade, de ônibus. Passaram coisas que fiz e que empenhei tempo e vontade por esses dois anos de formação acadêmica.

A gente abriu sapo, peixe e gente. Coletamos fezes de capivara para ver no microscópio. A Elizangêla descobriu que eu tinha cabelo branco e tratou logo de arrancar todos os sete fios que achou na minha cabeça. A gente comeu muito tropeguete junto na beirada da rodovia. Eu ganhei bolo de aniversário dos meus amigos. Eu arrumei amores lá por aquela cidade. Eu conheci pessoa que andava de fusquinha branco como eu. Eu perdi o enjôo de andar de ônibus. Eu descobri amigos gays, heteros e safados. E descobri que lubrificante íntimo de pimenta é o mais eficiente. Eu vi que gente sabida pode ser simples ou arrogante e que a receita p’ra ser amada pela sala inteira é passando muita cola (he he).

Beijos p’ra todo mundo! Não esquecerei de ninguém. Itaúna, tu fica fica com um pedacinho pouco de mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Deszoonsando o cuzinho de um hipopótamo!

Clicou na imagem, ampliou ela um pouquinho!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Mafalda e o Ano Novo.

Eu observei pelo FEEDJIT Live Traffic Feed do 'Chuva de Containers' (uma ferramenta no canto direito dessa página que rastreia os acessos ao blog), que muita gente visitou aqui guiado por uma busca pelo Google por tirinhas da Mafalda sobre o Ano Novo. O blog só tinha uma tirinha.

Como eu ainda não desejei aos meus leitores um Feliz Ano Novo e como tem muito tempo que não posto quadrinhos por aqui, vou publicar todas as tirinhas sobre ano novo para vocês.

Aproveitando, agradeço todo mundo que, de uma forma ou de outra, me incentivaram a continuar com o blog. Em especial à Bárbara, ao Felipe Lacerda, André Luiz, Samuel Bryan, Cochise, Robson, Matteus Santana, Marcela e outros poucos que lêem mas não comentam o blog.

Bárbara, obrigada pelos seus comentários assíduos!

Felipe, o mundo blogueiro significou muito para a gente não é mesmo?

André Luiz, eu é quem sou sua fã!

Enfim, Feliz 2009 para todos! Que nesse ano eu pare de ter preguiça de postar e de comentar o blog dos meus parceiros. Obrigada de novo!

Clique na imagem e amplie!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Santa Catarina é aqui!

Eu moro no Brasil, um país que fica relativamente no meio da placa tectônica sul-americana. O povo que vive aqui é protegido de maremotos e terremotos em níveis altos da escala Richter. O Estado que vivo é Minas Gerais e as chuvas aqui – pelo menos na região centro oeste dessa unidade federativa que é onde fica a minha casinha – têm ciclos regulares. Isso é muito útil para o homem plantar e a região quase nunca passa por escassez de água para consumo. A cidade que me acolhe é Divinópolis e se gaba de ser a quinta melhor de Minas Gerais. Mais de 80 % do povo daqui tem água limpa tratada chegando em casa, bem como canalização de esgoto, que apesar de não ser tratado não fica na cidade e vai embora pelo rio Itapecerica. O bairro que eu moro é bom, fica perto do centro e tem muitas ruas e casas bem estruturadas. A minha rua é calçada e tem quatro árvores bonitas, duas da quais se enchem de flores amarelinhas toda primavera.

Ataque terrorista, maremoto, vendaval, neve, terromoto, seca, redemoinho, erupção vulcânica, tsunami, chuva de mais, chuva de menos. Tudo isso sempre me pareceu produção holiwoodiana porque felizmente aconteceu bem longe do refúgio que é o meu lar. E quando qualquer desastre desses acontecia, era pela televisão que ficava sabendo de tudo, com direito a melhores imagens, gente chorando que nem em filmes, desgraça acontecendo que nem nos filmes.

A quantidade de desgraças foi se avolumando na TV e as cenas que trazem pessoas e mais pessoas morrendo e sofrendo são comuns. Tudo contribuiu pela minha insensibilidade às coisas ruins que acontecem no mundo.

Na madrugada do dia 17 para o dia 18 de dezembro, contudo, desgraça aconteceu bem perto da minha segura residência. A insensibilidade que ousava sustentar foi infelizmente quebrada por um monte de casas inundadas até o teto. E essas casas se distanciavam no máximo há quatro quarteirões da minha casa! A água do rio Itapecerica recebeu um volume de água grande por demais da leva de chuvas que aconteceu na região. Subiu quase sete metros além do leito normal do rio e inundou casas e edificações da população que vive às margens do rio e às margens do córrego Flecha que atravessa a cidade. A força e a quantidade de água nos rios interditaram quatro pontes da cidade. Ainda cerca de 200 mil habitantes ficaram sem água por cerca de três dias. Já que a estação de tratamento foi completamente inundada.

Enfim, é muito ruim ter de ver tragédia acontecer perto da gente para acreditar que elas acontecem. Eu peno em saber da fragilidade de todos nós diante das muitas intempéries que nos pegam de surpresa. O meu pedido para o papai Noel é que ele ajude as famílias a reconstruir os danos causados pela enchente e que ele proteja as árvores da minha rua contra qualquer coisa braba da natureza que possa impedir o aparecimento das flores amarelinhas da primavera.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Parabéns vovô!

Meu vô fez oitenta e três aninhos esse mês que passou! Eu descobri qual era a sua idade certinha porque minha vó dedurou o ano em que ele nasceu, o que me permitiu calcular. Se dependesse do livre depoimento do aniversariante ele falava que era 38 anos e com um pouquinho mais de inteligência eu teria deduzido que se tratava de uma inversão (83 / 38).
O meu velhinho ainda se gaba de fazer o quatro com as pernas.

Ele está forte, não toma nenhum remédio. Vive na roça e cansa de avisar para os netos que a gente tem de para de comer coisa industrializada para viver mais. Mas o vô abusa da gordura de porco e isso não é muito bom. Ele fala que inhame é depurador do sangue, 'Oropunobre' tem um montão de proteína e 'Arnica' cura qualquer machucado.

Ele não gosta do barulho da cidade, mas gosta quando os netos e filhos fazem barulho no seu sítio. E quando muita gente está reunida na varanda da sua casa, ele pega um acordeom bonito, vermelho, bem guardado dentro de uma cômoda. Os dedinhos durinhos, calejados da lida na roça, começam a dedilhar devagar uma canção. A canção é conhecida, a felicidade dele é conhecida.

O som de sanfona vai se misturando com a fumaça do fogão de lenha. O terreiro varridinho é iluminado por um sol forte. A roda de água que agoa as verduras na horta parece começar girar no compasso da música. Vovó larga de picar o frango e vai cantar também. A minha prima de colo balança o pesinho em sinal de agrado. Um pega uma panela, outro uma caixinha de fósforo e o resto ajuda com a voz. O vô grita:

_ Mariana, pega o violão e vem me ajudar!

E esquecendo do meu abandono ao aprendizado do instrumento eu redescubro que a felicidade pode surgir de poucos acordes.

Parabéns vô pela simplicidade e alegria que o senhor ensina a toda família!