sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Master, Plus injustiça.

O banco de esperma para boi funciona assim: pega-se o material dos melhores e mais resistentes animais para ser congelado e vendido a lances caríssimos em leilões. Em banco de esperma de gente o quesito ‘resistência’ não costuma ser muito observado. O material mais procurado é aquele que origina ser humano loirinho e de olho azul.

O certo de fazer banco de esperma de gente era pegar esperma de pobre e não esperma de loiro rico. Darwin me daria voz e razão para afirmar que esperma de pobre é mais resistente. O único jeito de pobre viver e ver seus filhos crescerem é não tendo doença nenhuma. Adoecer implica em gastos para desadoecer. Às vezes se gasta muito. Muito mesmo! Nó máximo, no máximo, é permitido ao pobre adoecer de gripe, dor de cabeça e caganeira. Pé rapado que se atreve a ter doença de rico, morre.
É aí que a seleção natural de pobre resistente, produtor de espermatozóide resistente, tem total fundamento. Por serem privados de atendimento humanitário de saúde, pobre que adoece não sobrevive.

Toda reflexão começa nas minhas sólidas observações de que saúde é um comércio sujo, voltado exclusivamente para quem tem dinheiro. Em Medicina observa-se evolução em tudo quanto é área. Equipamento novo para tratar unha encravada do dedo mindinho e o escambal. Mas tudo p’ra quem pode pagar e render lucro os medicozinhos.
O meu primeiro período cursando ciências médicas me permite observar um monte de jovenzinhos já matutando como vão recuperar os R$3718,00 (Três mil setecentos e dezoito reais!) gastos, por mês, para quitar a faculdade.

A ambição nas áreas médicas é obscena mesmo e parece que muita coisa podre advém disso. Eu estudei na disciplina de ‘Saúde infantil’ que tem teste do pezinho para pobre e teste do pezinho para rico. Teste do pezinho para pobre é o básico gratuito fornecido pelo SUS e identifica apenas 5 doenças. Teste do pezinho de rico pode ser o Ampliado, o Plus, o Master ou o Expandido. Vai do bolso e do gosto do freguês. O Ampliado identifica sete doenças e o Master mais de 16 doenças!

O teste do pezinho deve ser feito até o quinto dia de vida da criança, porque identifica doenças graves como a Galactosemia que exige ações imediatas sobre o recém-nascido. Um bebê com Galactosemia, por exemplo, deve ser imediatamente proibido de mamar, sujeito a morte se isso não acontecer. Um ser galactosemico tem intolerância à substância galactose presente no leite, porque não consegue metabolizá-la. O excesso de galactose no sangue do ser doente vai causar morte sem o socorro em tempo.

O teste do pezinho do SUS não identifica a Galactosemia. Pobre com Galactosemia morre simplesmente por não ser avisado que não podia tomar leite.
Pobre galactosêmico que, por sorte, juntou dinheiro para o teste Plus, morre também. A dieta na ausência de galactose exige suplementos caros. Sem dinheiro para comprar, passa-se sem.

O jeito é torcer para o espermatozóide ser bom para beber leite. Engraçado que, no boi, espermatozóide bom é para dar leite. Evitemos comparações para eu também não me complicar confundindo gente com animal.

A gente não muda muito não!

Encontrei na minha pasta de arquivos já publicados no blog uma autodescrição de mim mesma que na verdade nunca foi parar como texto nesse blog. Eu procuro evitar essas postagens meio ‘diário – emo’ no Chuva de Containers. Mas às vezes, é bom falar da gente mesmo, ainda mais quando se pretende deixar um blog para os netinhos lerem. O texto foi escrito em 2007 e apareceu algumas vezes na internet quando eu, Mariana Martins, era surpreendida pela pergunta “Quem sou eu?”.

Muita gente fica com firulas e versinho para engabelar essa pergunta. E ainda tem aquele que fazem pinta de misterioso na linha “Só sei que nada sei”. Tudo viadagem ou falta de criatividade, com já dizia meu curto e grosso amigo Matteus. Você é o que você cria. Se eu falar que sou astronauta, aí de quem brigar comigo que não sou.

Um segredinho: A gente só é interessante quando a gente é arrogante para falar que é Tudo. Mesmo que o Tudo seja fantasia, é muito bom lembrar que a gente é palco sempre, mesmo sem espectador.

Texto de 2007, pouca coisa é diferente. A toalha de banho ainda é verde. A unha cresceu, mas está lixadinha e bem feita. Os casos de apaixonamentos e desapaixonamentos superam cinco vezes. Minha irmã continua encalhada e decidi fazer Medicina, não Engenharia. Engenheiros do Hawaii era engraçadinho na minha época Pseudocult começando a blogar. Ah, eu adoro meu fusca de bunda redonda. As camisas do Che e de Minas Gerais ainda estão passadinhas e em bom estado de uso. Budapeste escreve assim mesmo e é a capital da Hungria que fica na Europa. Não tem nada de peste em Budapeste e se tiver eu ainda continuo sem saber. Não tenho mais dinheiro no banco para casar e talvez eu não aprenda tocar piano e sim gaita.

Tudo que um dia já quiseram (e ainda continuam querendo) saber about me (na íntegra):

Tenho uma toalha verde e não tomo banho sem ela.
Não como unha, mas não deixo ela crescer. Li em algum lugar que depois que a gente morre os cabelos e as unhas crescem. Como não sei quando vou morrer e não quero ter unhão mal feito dentro do caixão... tá aí a explicação.
Não tenho medo de barata, mas tenho muito nojo.
Já comi caranguejo, ostra, lula, caviar e rã.
Já me apaixonei e desapaixonei cinco vezes (duas dessas, pela mesma pessoa) por causa de frases Gessingerianas sussurradas ao pé do ouvido.
Gosto de alguém que nem sonha com isso.
Conheço o mar. Morreria se passasse mais de um ano sem vê-lo... e sem ver uma pessoa de lá também.
Não sei fazer comida.
Tenho mais amigos homens que mulheres.
Quero ter um Honda Civic preto.
Tenho uma irmã linda que está precisando de namorado p’ra parar de encher o saco da minha vida de encalhada.
Não decidi se quero fazer Engenharia ou Medicina. Na dúvida ainda continuo com a Biologia.
Eu também amo os Beatles e os Rolling Stones, acima de tudo e todos: ENGENHEIROS DO HAWAII.
Nasci com cabelo.
Aprendi a falar primeiro que andar. Até hoje não aprendi a andar direito.
Não consigo ficar mais de um minuto perto de uma pessoa sem falar nada.
Não passo creme de pele.
Só uso calcinha de algodão. Renda never.
Odeio perfume forte.
Odeio gente fresca.
Não aceito balas nem carona de estranhos (aprendi isso quando pequena, hoje vale para os marmanjos esnobes que pensam poder impressionar com um carro).
Não gosto de bebida.
Não ajudo nenhum amigo bêbado e não vejo a menor graça em contar vantagem porque bebeu.
Não suporto cigarro.
Adoro dançar. Funk, forró, bolero, de tudo.
Sou muito manoteira com foto. Já fiz cada coisa para registrar alguns momentos....
Toda vez que recebo dinheiro confiro na frente da pessoa se não é falso.
Sou pão dura mesmo!!! Um Honda Civic é muito caro e é necessário economizar.
Odeio carro com a bunda redonda.
Tenho uma camisa do Che.
Tenho uma blusa com a bandeira de Minas Gerais.
Sei em quem votei na última eleição. Vejo horário político.
Sou partidária do PT.
Já fui a um comício do Lula.
Já fui num show do Latino.
Já fui à palestra do Marcos Pontes.
Até hoje não acredito que se tenha gastado tanto dinheiro para mandar um astronauta nosso para o espaço. Incomoda-me ver, que, enquanto isso, há milhares de pessoas passando fome.
Ainda acredito no Mercosul.
Ainda acredito no Brasil.
Ainda acredito na educação.
Preocupo-me com o aquecimento global.
Procurei caderno de folha reciclável, mas não encontrei.
Não recebo folhetos de propaganda, para não poluir a cidade.
Já tive o sonho de ser gari.
Coloco nome nos meus sapatos. Sou viciada em sapatos.
Tenho uma caveira em meu quarto.
Meu violão tem nome.
Não li metade dos livros que disse ter lido, mas gosto de ler e ainda pretendo lê-los.
Não fui à metade dos lugares que disse ter ido e não pretendo nunca ir.
Sou apaixonada pela minha família.
Já dancei funk com a minha vó.
Já fui ver a piracema do Rio Itapecerica com meu pai.
Já acordei ouvindo uma serenata de sanfona do meu Vô: “Diga adeus Mariana que eu já vou embora...” Só aturo sertanejo se for ele que estiver cantando.
Meu padrinho encapa todas as goiabas no pé lá da roça para protegê-las dos bichos. Isso porque sabe como gosto da fruta.
Minha mãe corta minha unha do pé.
Já tive uma tartaruga (acho que cágado), um canarinho fêmea e um peixe desses que a gente pescava nas festas juninas. Todos morreram!
Não sei onde fica Budapeste... nem sei se é assim que escreve.
Não posso usar óculos escuros porque já uso de grau.
Se eu estiver sem óculos e passar por você, por favor, atire-se na minha frente para que eu lhe cumprimente. Caso contrário, desista.
Gosto de xadrez e tenho pavor de dama. (Culpa do meu pai que sempre rouba de mim)
Já tenho dinheiro no banco para casar. kkkk
Não quero casar.
Tenho TOC.
Gosto de vôlei.
Quero aprender tocar piano.
Quero escrever um livro.
Quero ficar rica... (não com o livro)
Quero um homem mais macho do que eu.
Não quero que ninguém me odeie, nem quero odiar ninguém.
Quero ser bem mais feliz do que sou!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Falta. Culpa. Presença.

É relevante contar para vocês leitores que a pessoa que vos escreve sempre fingiu de descrédula e debochadora de todas as crenças por cores, números, cheiros e afins. Isso faz parte se um disfarce de mulher segura, de fibra forte e senhora do seu destino. Acontece que a minha expatriação de Divinópolis expôs minha fragilidade. Nesse momento eu me curvo sobre um monte de palavras que escapolem sem controle da minha mão. O fato é que começo a crer e sentir falta das cores, dos números, do cheiro e da harmonia que eu vivia antes.

A inquietação é pela troca de vidas que me propus. Eu fui parida numa cidade que desconheço, no meio de muita gente que também é estranha. Desde o início, os planos eram de congelar meu mundo em Divinópolis para dar tempo de viver tudo aqui, em Alfenas; e depois, quando se passassem os meus seis anos de graduação, viver tudo por lá, em Divinópolis. Tudo sem que nada mudasse. A minha possessão consistia em impedir que ninguém vivesse nada lá (em Divi) enquanto eu não estivesse presente. Em desagrado, as pessoas que ficaram na minha terra continuam amando, trabalhando, planejando suas vidas.

Talvez a única forma de saciar parcialmente a minha ânsia por estar em dois lugares ao mesmo tempo fosse voltar todos os finais de semana para minha terra. Alfenas não tem ônibus com escala direta para Divinópolis. Quarta os meus olhinhos correram todas as placas de carro da Universidade. Foi uma busca louca e sem sucesso. Se eu quisesse ir para São Paulo encontrava muitas caronas. Nada sobre habitantes de solo conhecido.

Vontade de voltar eu tenho toda hora e não há um motivo certo para isso. Talvez seja por causa de gente que ficou, talvez seja por causa de coisas que não posso trazer. Talvez seja a concepção de lar que ainda não se transferiu para Alfenas.

Um mocinho que sentou comigo no degrau da escada de veterinária percebeu e questionou se o meu desatino tinha a ver namorado. Limitei-me a responder que não tenho namorado, mas evitei maiores detalhes. Ele não poderia saber da minha lista de desajeitos. Não me ajeitei o poeta torto sem lenço, sem documento, sem passaginha. Não me ajeitei com o Deus grego que andava de fusquinha branco. Não me ajeitei com o tarado do MSN que conheci num show do Gessinger. Não me ajeitei com o galanteador que me ligava em todas tardes de dias ímpares da semana. Não me ajeitei com o peão que dizia aparecer em Divinópolis só para me ver. Não me ajeitei com o meu herói de prisão de barraquinha.

Eu acho que eu não sei amar... mas ta aí uma coisa que eu sinto falta: Simplesmente sinto falta de gente que me ame. Ou finja que me ame.

Eu sinto falta de gente que me ofereça Trident de canela, que me fale que eu fico linda de vermelho. Eu sinto falta de uma casa para visitar de fusca nos finais de semana. Eu sinto falta de bocas p’ra beijar, de cheiros impregnando no meu pescoço. Eu sinto falta de gosto de sal do suor na minha boca, do vidro do carro embaçado. Eu sinto falta de receber flores, mesmo que estas sejam únicas e de plástico.

Eu sinto falta. Eu sinto falta, mas não quero tudo de volta. Eu sinto falta porque preciso reconhecer o que é necessário refazer de novo.

E assim Divinópolis você será temporariamente substituída. Querida cidade, por favor, guarde bem aquilo ou aquele que tem por sina ser meu, que tem por sina me pertencer. Eu sei que muita gente vai me esquecer, mas eu sei que ainda vai ter alguém a me esperar de braços abertos quando voltar. Aí, a vida começa de novo na sua intensidade merecida.

Eu escrevi esse texto na quinta, dia 19 de fevereiro. Mas quando fui tentar postar na lan house sexta dia 20, eu só salvei o rascunho e não o publiquei. Desculpa o embaraço senhores leitores!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Progressos Marianísticos.

Eu nunca saí de casa por mais de um, dois dias. Sou do tipo filhotinho garrado na barra da saia da mamãe. Essa semana, contudo, além de sair da casa eu mudei de cidade para estudar. O fato é que até então, comida, roupa lavada e casa limpa eram providências divinas que chegavam em tempo certo na minha mão. Tudo mudou, e muito!

A minha atual casa é pequena. Tem um quarto, uma cozinha, um banheiro e um quintal relativamente grande. Seria muito simples cuidar desse espaço não fosse o meu natural despreparo e meu estado de preguiça em evolução. Contudo, não posso mais fugir dos afazeres domésticos e até cozinhar tenho arriscado. Ontem mesmo, eu, corajosamente, experimentei um processo de faxina, lavagem de roupa, detetização e de cuidados com o quintal.

As mais simples coisas que acontecem com Mariana Martins adquirem um toque tragicômico anormal. Os eventos ocorridos no seu desempenho doméstico não poderiam ser diferentes. Acontece que muita gente chega duvidar da maluquices que narro aqui e muitos acham que é tudo conversa p’ra boi dormir. Para deleite dos meus amados leitores dessa vez fotografei tudo o possível, inclusive meu quase enfarte por causa de formigas. A lá Nelma e suas larvinhas.

A visita dos repugnantes seres carregadores de folha, que, na minha casa, carregavam era a minha açúcar, ocorreu no momento que eu lavava as vasilhas da gororoba do almoço.

1º a gororoba é claro! Com suquinho de uva para desembuchar com estilo. Detalhe nos muitos nutrientes evidenciados pela coloração dos componentes. (Mainhê! Nem vem que pelo menos tava nutritivo. Hehe)

Depois de qualquer gororoba tem-se o processo óbvio de lavagem da louça. Então uma formigona aparece isolada em cima da torneira. Eu pego a bucha de sabão e massago (eu sei essa palavra não existe, mas eu quero usar ela mesmo)... continuando ...eu massago a pobre da formiguinha com a bucha de sabão. Logo depois aparece mais duas e de imediato recordo que a situação não é estranha. Tem muito pouco tempo que dona Nelma, minha mãe, passou por descobertas gradativas de larvinhas tal como eu estava passando por descobertas gradativas de formigas. Com o preparo de experiências anteriores, eu descubro um aglomerado assustador de formigonas bem atrás da minha lata de açúcar. Como ato conseqüente, lá vai eu travar uma guerra na minha cozinha com um exército de trezentas delas. A arma que eu usei é hereditária de mamãe, o álcool. Mostrou-se muito eficiente no combate das larvinhas e agora, no combate das formigas também. Hehe

Formigas mortas p’ra quem quiser ver.

Então, limpar a casa foi só tacar água em tudo e puxar com rodo. Ok, eu ainda devo aproveitar esse post para comunicar à minha mãe que eu lavei todos os paninhos que usei para limpar a casa. Uma evolução, porque quando eu arrumava a casa para ela nunca dava fim na confusão de panos que eu usava para dar jeito em tudo. Ela vai ficar muito orgulhosa.
Ah mãe, eu lavei meu tênis!


E para finalizar esse tópico só quero aproveitar minha safra de fotos e mostrar a preocupação social desse blog e da autora. Eu eliminei os focos de dengue no meu quintal. Mamãe! Não precisa chorar de emoção! Hehe.
Combata da dengue você também!


E assim sigo aprendendo mais coisas úteis para a vida. Bjão para todo mundo! Em breve dou qualquer sinal de vida.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Iniciando as despedidas.

Foi meio abismática a situação que aconteceu comigo nessa semana. Eu estava em Itaúna (MG) cancelando uma bolsa integral de Biologia pelo PROUNI e encerrando a minha matrícula para o próximo semestre do meu curso na UIT (Universidade de Itaúna). Três pessoas lá do setor Administrativo da Faculdade perguntaram se eu tinha certeza do estava fazendo, já que era um ato irreversível no sistema do MEC segundo todos eles. Eu disse que sim, eu tinha certeza, mas os funcionários que me atendiam pareciam ler a insegurança que perpassava todos os meus pensamentos. Afinal eu estava abandonando, com 2 anos já concluídos, um curso superior totalmente gratuito e que de alguma forma, há dois anos de minha vida, eu quis. No mesmo dia do cancelamento tinha gente demais lá na Universidade. Gente com envelope nas mãos e papelada que faltava para tirar xérox, pais nervosos e filhos também. Ansiavam pela aprovação em uma entrevista que concederia a muitos jovens, que ali estavam, o direito de uma Universidade gratuita. A menina de cabelo castanho escuro e óculo chegou sem papelada nas mãos e logo chamou atenção pelo motivo de estar ali. Ela não queria mais a sua bolsa de estudo, ela queria cancelar o benefício.

Não !!!
A garota, que sou eu, não estava ficando louca não! E para aliviar o incomodo que a minha ação causava para as pessoas que sabiam da finalidade pela qual eu estava lá, tive de juntar minhas argumentações interiores p’ra revelar com orgulho a opção pelo meu sonho: Eu estou largando tudo para ser doutora senhores! Fevereiro agora eu parto para Alfenas e lá permanecerei pelos meus próximos 6 anos. Vou me formar médica urologista. (Bricadeirinha só para descontrair os ânimos de quem acabou de ficar triste ao saber que já não sou mais cidadã divinopolitana).

É meus amigos... eu estou feliz, mas desgarrar de Divinópolis não está sendo fácil e desgarrar dessa minha mole vida e de Itaúna também não. Foi só por o pé p’ra fora da faculdade que um filme de lembranças veio me cutucar. Passaram pessoas, amigos de sala, de cidade, de ônibus. Passaram coisas que fiz e que empenhei tempo e vontade por esses dois anos de formação acadêmica.

A gente abriu sapo, peixe e gente. Coletamos fezes de capivara para ver no microscópio. A Elizangêla descobriu que eu tinha cabelo branco e tratou logo de arrancar todos os sete fios que achou na minha cabeça. A gente comeu muito tropeguete junto na beirada da rodovia. Eu ganhei bolo de aniversário dos meus amigos. Eu arrumei amores lá por aquela cidade. Eu conheci pessoa que andava de fusquinha branco como eu. Eu perdi o enjôo de andar de ônibus. Eu descobri amigos gays, heteros e safados. E descobri que lubrificante íntimo de pimenta é o mais eficiente. Eu vi que gente sabida pode ser simples ou arrogante e que a receita p’ra ser amada pela sala inteira é passando muita cola (he he).

Beijos p’ra todo mundo! Não esquecerei de ninguém. Itaúna, tu fica fica com um pedacinho pouco de mim.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Deszoonsando o cuzinho de um hipopótamo!

Clicou na imagem, ampliou ela um pouquinho!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Mafalda e o Ano Novo.

Eu observei pelo FEEDJIT Live Traffic Feed do 'Chuva de Containers' (uma ferramenta no canto direito dessa página que rastreia os acessos ao blog), que muita gente visitou aqui guiado por uma busca pelo Google por tirinhas da Mafalda sobre o Ano Novo. O blog só tinha uma tirinha.

Como eu ainda não desejei aos meus leitores um Feliz Ano Novo e como tem muito tempo que não posto quadrinhos por aqui, vou publicar todas as tirinhas sobre ano novo para vocês.

Aproveitando, agradeço todo mundo que, de uma forma ou de outra, me incentivaram a continuar com o blog. Em especial à Bárbara, ao Felipe Lacerda, André Luiz, Samuel Bryan, Cochise, Robson, Matteus Santana, Marcela e outros poucos que lêem mas não comentam o blog.

Bárbara, obrigada pelos seus comentários assíduos!

Felipe, o mundo blogueiro significou muito para a gente não é mesmo?

André Luiz, eu é quem sou sua fã!

Enfim, Feliz 2009 para todos! Que nesse ano eu pare de ter preguiça de postar e de comentar o blog dos meus parceiros. Obrigada de novo!

Clique na imagem e amplie!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Santa Catarina é aqui!

Eu moro no Brasil, um país que fica relativamente no meio da placa tectônica sul-americana. O povo que vive aqui é protegido de maremotos e terremotos em níveis altos da escala Richter. O Estado que vivo é Minas Gerais e as chuvas aqui – pelo menos na região centro oeste dessa unidade federativa que é onde fica a minha casinha – têm ciclos regulares. Isso é muito útil para o homem plantar e a região quase nunca passa por escassez de água para consumo. A cidade que me acolhe é Divinópolis e se gaba de ser a quinta melhor de Minas Gerais. Mais de 80 % do povo daqui tem água limpa tratada chegando em casa, bem como canalização de esgoto, que apesar de não ser tratado não fica na cidade e vai embora pelo rio Itapecerica. O bairro que eu moro é bom, fica perto do centro e tem muitas ruas e casas bem estruturadas. A minha rua é calçada e tem quatro árvores bonitas, duas da quais se enchem de flores amarelinhas toda primavera.

Ataque terrorista, maremoto, vendaval, neve, terromoto, seca, redemoinho, erupção vulcânica, tsunami, chuva de mais, chuva de menos. Tudo isso sempre me pareceu produção holiwoodiana porque felizmente aconteceu bem longe do refúgio que é o meu lar. E quando qualquer desastre desses acontecia, era pela televisão que ficava sabendo de tudo, com direito a melhores imagens, gente chorando que nem em filmes, desgraça acontecendo que nem nos filmes.

A quantidade de desgraças foi se avolumando na TV e as cenas que trazem pessoas e mais pessoas morrendo e sofrendo são comuns. Tudo contribuiu pela minha insensibilidade às coisas ruins que acontecem no mundo.

Na madrugada do dia 17 para o dia 18 de dezembro, contudo, desgraça aconteceu bem perto da minha segura residência. A insensibilidade que ousava sustentar foi infelizmente quebrada por um monte de casas inundadas até o teto. E essas casas se distanciavam no máximo há quatro quarteirões da minha casa! A água do rio Itapecerica recebeu um volume de água grande por demais da leva de chuvas que aconteceu na região. Subiu quase sete metros além do leito normal do rio e inundou casas e edificações da população que vive às margens do rio e às margens do córrego Flecha que atravessa a cidade. A força e a quantidade de água nos rios interditaram quatro pontes da cidade. Ainda cerca de 200 mil habitantes ficaram sem água por cerca de três dias. Já que a estação de tratamento foi completamente inundada.

Enfim, é muito ruim ter de ver tragédia acontecer perto da gente para acreditar que elas acontecem. Eu peno em saber da fragilidade de todos nós diante das muitas intempéries que nos pegam de surpresa. O meu pedido para o papai Noel é que ele ajude as famílias a reconstruir os danos causados pela enchente e que ele proteja as árvores da minha rua contra qualquer coisa braba da natureza que possa impedir o aparecimento das flores amarelinhas da primavera.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Parabéns vovô!

Meu vô fez oitenta e três aninhos esse mês que passou! Eu descobri qual era a sua idade certinha porque minha vó dedurou o ano em que ele nasceu, o que me permitiu calcular. Se dependesse do livre depoimento do aniversariante ele falava que era 38 anos e com um pouquinho mais de inteligência eu teria deduzido que se tratava de uma inversão (83 / 38).
O meu velhinho ainda se gaba de fazer o quatro com as pernas.

Ele está forte, não toma nenhum remédio. Vive na roça e cansa de avisar para os netos que a gente tem de para de comer coisa industrializada para viver mais. Mas o vô abusa da gordura de porco e isso não é muito bom. Ele fala que inhame é depurador do sangue, 'Oropunobre' tem um montão de proteína e 'Arnica' cura qualquer machucado.

Ele não gosta do barulho da cidade, mas gosta quando os netos e filhos fazem barulho no seu sítio. E quando muita gente está reunida na varanda da sua casa, ele pega um acordeom bonito, vermelho, bem guardado dentro de uma cômoda. Os dedinhos durinhos, calejados da lida na roça, começam a dedilhar devagar uma canção. A canção é conhecida, a felicidade dele é conhecida.

O som de sanfona vai se misturando com a fumaça do fogão de lenha. O terreiro varridinho é iluminado por um sol forte. A roda de água que agoa as verduras na horta parece começar girar no compasso da música. Vovó larga de picar o frango e vai cantar também. A minha prima de colo balança o pesinho em sinal de agrado. Um pega uma panela, outro uma caixinha de fósforo e o resto ajuda com a voz. O vô grita:

_ Mariana, pega o violão e vem me ajudar!

E esquecendo do meu abandono ao aprendizado do instrumento eu redescubro que a felicidade pode surgir de poucos acordes.

Parabéns vô pela simplicidade e alegria que o senhor ensina a toda família!

domingo, 30 de novembro de 2008

Como desenhar direito! Ana Paula ensina.

Ana Paula é uma menina de estatura que passa só um pouquinho o meu joelho. Ela tem um cabelinho loiro, mirradinho, cheio de nó. Uma catarreira danada. Tem a pele jambo e é magrelinha. Só tem três anos. Ela apareceu na sala de informática acompanhada dos seus irmãos. Eles são três meninos, todos meus alunos. Cada um em uma série diferente. O irmão do meio me explicou que eles tinham de cuidar dela no horário em que não estavam estudando e me pediu permissão para que ela ficasse com eles enquanto mexiam no computador.

Ana Paula sentou no colo do mais velho e ficou observando. Passou cinco minutos e ela danou a apertar algumas teclas indevidas, atrapalhando todo o desenho que o irmão tinha feito. Ai ela foi passada para o irmão do meio. Ele estava jogando e nem deu trela para a tentativa da irmã de tentar mexer no computador também. O irmão mais novo nem podia pegar a menina porque era pequenininho e Ana Paula escorregaria do colo dele. Aí, eu na minha postura de amante das crianças (hehe), peguei a Ana Paula e enterti ela com uma folha de desenho.

_ Ana Paula! Desenha uma casinha?
_ Sei não. Quero ‘putadô’! (e ela levantou a mãozinha apontando para uma das máquinas em que um menino usava o Paint para desenhar)
Eu tentando consolá - la disse:
_ É a mesma coisa. Você pode desenhar aqui no papel também. E eu te ensino a desenhar uma casinha. Olha aqui! Cada coisa que eu fizer você vai fazer igual tá bem?
_ Tá.

E assim eu fazia um telhado, ela fazia o telhado dela. Eu fazia a parede, ela fazia a parede da casa dela. Eu fazia um pintinho, ela fazia o pintinho dela. Eu colocava pé no pintinho, ela colocava pé na janela.
A Ana Paula terminou o seu desenho rapidinho e não me deixou em paz enquanto não a deixei desenhar no computador. A pirralhinha chamou meu cachorro de boi e eu sai profundamente ofendida com isso.

O da Ana Paula: (Olha os pés do pintinho na janela!)
O meu: (Ela chamou meu cachorro de boi!)

domingo, 23 de novembro de 2008

Trato de Independência Feminina por Mariana Martins e Luciana Maia.

Lu, os acessórios verdes eu compro tah?

Uma semana comum. Uma noite comum. Um ônibus comum leva os estudantes da Universidade de Itaúna de volta para casa. Um sono comum. A poltrona do meu lado ocupada por uma companhia comum. Mas a companhia comum sempre tem conversas incomuns. Ela é Luciana Maia, minha doce e atrapalhada amiga!


- Mari? Eu queria nascer rica ao invés de bonita! Você não queria não?
- Uai Lu! Obrigada pelo elogio de bonita, mas é que eu queria as duas coisas se fosse possível.
- Ah! Mas acho que só ser rica estava bom. Quando a gente é bonita tem homem que se aproxima, fala que gosta da gente, mas na verdade só quer se aproveitar. Quando a gente é feia e rica, qualquer um que lhe fizer jura de amor merece um pé na bunda. Tudo fingimento!
- É só a gente ser rica e bonita e não der trela para nenhum homem!
- É mesmo né? Se for parar para pensar a gente nem precisa de homem.
- Assim... Precisar? Precisa. Para fazer aquelas coisas... você sabe, para ter filhos!
- Aham e por que uma mulher precisa de filhos?
- Algo relacionado à solidão Lu. Pelo menos eu quero ter um filho para cuidar de mim quando eu ficar velhinha!
- Tudo bem! Filho está explicado. Mas onde é que homem entra nessa história? Por que é que depois de arrumar um filho a gente tem que conviver com um homem dentro de casa?
- Para ajudar a criar o filho? Educar ele, comprar coisas para ele?
- Aí está! Se eu for rica eu não vou precisar de homem então. Dinheiro para criar um filho eu vou ter de sobra.
- Um filho precisa de pai Lu. Para dar exemplo, buscar o filho na escola. E você que gosta tanto do seu pai como eu, não devia falar essas coisas.
- É, você tem razão! Mas morar sozinha com meu filho não quer dizer que ele não vai ter um pai. O pai dele pode visitá-lo de vez em quando. O que eu não quero é ter de dividir minha Pickup com um macho, ter toalha molhada em cima da cama, virar objeto sexual e ter de cozinhar a vida inteira para um barrigudo reclamão. Eu quero é ter minha casa própria, um closet só com roupas importadas, uma garagem com uma frota de carros...
- Do tipo um carro para cada cor de roupa e sapato?
- Aham.
- Lu? Você deixa eu morar com você?

sábado, 15 de novembro de 2008

From 'Caçador de Pipas' - Filme.

- A história é sobre o quê?
- É sobre um homem que encontra um copo mágico e ele aprende que se ele chorar no copo as lágrimas dele viram pérolas. Ele é muito pobre e no final da história ele está sentado em uma montanha de pérolas com uma faca ensangüentada e a esposa morta nos braços dele.
- Então ele a matou?
- É Hassan!
- P’ra chorar muito e se enriquecer?
- É Hassan! Como você é inteligente! (ironia) ... Que foi?
- Nada. Bom, me permite fazer uma pergunta sobre a história?
- Claro!
- Por que o homem teve que matar a esposa?
- Porque cada uma das lágrimas dele virava uma pérola!
- Eu sei, mas porque ele não podia só cortar uma cebola?