quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cof, cof!

Olha a gentileza ein gente?!
É de assustar, qualquer um, o adiamento de uma semana para o retorno às aulas depois das férias de julho. Gripe suína não tinha relevância nenhuma para mim e outras pessoas. Isso, porque a relativa pequena quantidade de mortes não passava de uma insignificante protagonização de desastres que acontecem longe do nosso nariz. O fato é que estudantes do Brasil inteiro e os pais que contam com seus filhos na escola para poderem trabalhar, não esperavam ter de passar por esse transtorno de férias alongadas. Mesmo sendo esse nosso país um apreciador de feriados.

E por que adiaram o início das aulas? Bem, circulam na comunidade científica algumas estatísticas de que nas duas primeiras semanas de agosto há uma maior circulação dos viri (plural de vírus) no geral. Tudo estaria relacionado à temperatura ou não passaria de uma mera coincidência do aumento de contaminações viróticas constatado em alguns estudos epidemiológicos. Outra justificativa para o alongamento das férias seria preparar melhor os profissionais das escolas e universidades, para recepcionar os alunos diante da iminência da gripe A ou do porco. As instituições de ensino - como qualquer ambiente que aglomera pessoas viventes em diversos espaços – são, sim, um ambiente de risco, propício a disseminação de doenças, piolhos, etc. O evento das férias também acrescenta o problema do aumento das viagens de lazer, podendo transpor a doença de uma área para outra com facilidade. Mas enfim, o principal motivo, pelo menos o divulgado em rede televisiva, foi o que já comentei: Ensinar professores a ensinar seus alunos a lavar as mãos, usar máscara e não abraçar ou pegar na mão do coleguinha.

Eu cheguei em Alfenas com medo. Sério mesmo! O quadro de hipocondria leve da pessoa que vos escreve nem deve ser levado muito em consideração. Ainda bem que gripe suína em Minas apesar de um assunto em pauta, conta com poucos casos de morte. Só que parece que no Brasil está morrendo quase todo mundo. Hehe. O fato é que na Universidade em que eu estudo (UNIFENAS de Alfenas - MG) tem estudantes Brasil inteiro. Mais especificamente, na minha sala tem gente de Curitiba, Barra do Garças no Mato Grosso, Salvador e do estado de São Paulo quase inteiro. Em São Paulo o trem tá feio! Aí eu pensei: Vou comprar antecipadamente máscaras para enfrentar a faculdade né não? E assim fiz. Acabo de confessar isso aqui nesse blog e só para vocês. Uai! Eu achei que todo mundo iria estar com medo na faculdade, que não iria ser manota usar minhas máscaras porque todo mundo estaria usando máscaras. E se não estivessem, logicamente receberiam uma na entrada da faculdade, porque os professores devem que receberam treinamento e orientação para incentivar essa prática. Que nada! A Unifenas fez foi nada. Nem parecia que faculdade via importância em ter seus alunos vivinhos continuando a pagar suas avolumadas mensalidades. Não tinha ninguém recepcionando com máscaras lá na porta. Não tinha nenhum álcool com gel na sala. E pior! Ninguém teve a iniciativa individual de usar máscaras. Eu fiquei que nem otária com aquele objeto de proteção que eu tinha comprado na mão e a dúvida cruel atormentando: Uso ou não uso? Não usei.

Falar que a Instituição não fez nada foi um exagero. A Universidade aqui de Alfenas interditou os bebedouros. Isso mesmo! Só os bebedouros representavam um problema. É muita palhaçada não é mesmo? Olha, li na internet um texto argumentando sobre a Gripe Suína ser uma invenção para emplacar a venda do Tamiflu. Não sei se vocês lembram, pouquíssimos meses atrás o que existia era uma tal de gripe aviária. O vírus dessa doença teria sido identificado em animais e o maior risco aparente era que ele sofresse mutação e passasse para uma forma disseminante entre humanos. O texto lembrava que o Tamiflu foi um medicamento que surgiu para combater uma possível forma nociva humana da Gripe Aviária e não para curar a gripe Suína. Algo muito estranho mesmo, mas que, sinceramente, não justifica tratar a nova gripe com tanto deboche.

O meu amigo Ronald falou que depois da doença da vaca louca, da gripe aviária e da gripe suína, podiam era surgir doenças mais chiques como a gripe do peru, a febre do faisão, o resfriado do caviar de Beluga, bronquite do scargot, o mal do salmão defumado. A idéia lógica é que os males da humanidade se afastem dos animais e comidas comuns e afetem só o bolso de quem pode pagar por ‘Tamiflus’. Mas enfim, piada pode ser uma manifestação de quem está nervoso com a situação. Não que o Ronald esteja nervoso, mas eu estou nervosa. Eu achei ruim ver o meu avô - uma pessoa simples de 83 anos - me aconselhar a ir para Alfenas e rezar muito. A Gripe aviária, segundo ele, parece ser uma praga daquelas bíblicas para eliminar excesso de gente pecadora do mundo. Ele pode ter pensamento extremista, mas está preocupado. O povo lá da faculdade não está preocupado. E enquanto existe divisão de opiniões, o que a gente pode é evidenciar um despreparo da população para combater em união, possíveis mutações de microorganismos. Pode não ser essa a nossa hora, mas muitas ameaças são quase sempre silenciosas.

domingo, 2 de agosto de 2009

P'ra frente, p'ro alto!

Recesso. No meio dessa semana eu posto texto.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Beijão Furacão!

Olha só, falando sério agora. Se um dia eu me casar e o meu marido ficar benzinho p’ra lá, benzinho p’ra cá e abaixar a cabeça para tudo que eu falar, separo dele na hora. Um relacionamento é feito de brigas. Brigas são necessárias para que existam momentos de reconciliação.

Minha mãe, Sra. Nelma, e meu pai, Sr. Januário, estão juntos há mais de 20 anos e o tanto que esses dois se implicam não está escrito. As discussões se dão desde críticas sobre a forma como um e outro jogam Paciência (Spider) no computador, até discussões mais sérias, questionando - por exemplo - onde o outro foi, com quem o outro estava e por aí vai.

Meu pai não é muito de consertar coisas aqui em casa. Mesmo pequenos problemas - como um espelho que precisa ser pendurado na parede – se torna algo complicado de mais para ele. A minha mãe fica louca se tem alguma coisa para arrumar e o meu pai não resolve ou nem chama alguém para socorrer o problema. Para piorar a situação, o senhor meu pai ainda alfineta essa louca dona de casa - que é no que se transforma a dona Nelma nessas situações.

Há alguns meses atrás, a torneira da cozinha começou a vazar água por um problema na rosca ou na borracha vedante, razão que nem vem ao caso. Depois de reclamar horrores para meu pai na cozinha tadinho, a mamãe exigiu providência naquele momento. Sabe o que o Sr. Januário fez? Rancou cinco reais da carteira e falou assim: “Aqui oh! Chama o profissional para te ajudar!”. Lógico! No tom mais debochado possível, porque cinco reais mal dão para comprar um doce na esquina. Na verdade, não sei como ele não teve medo. Pelo que conheço a mãe, se ela estivesse de TPM, ela arrancava aquela torneira e jogava na cabeça de seu homem na hora!

Mas dona Nelma não desiste! Esses dias ela fez um pedido simples para o marido dela: Que ele calçasse direito a máquina de lavar roupas, pois estando em desnível com o solo produzia uma trepidação.

Vocês acham que ele fez alguma coisa?
Fez. Escreveu um bilhete e saiu de fininho.

“Nelma quando
você sair verifique a máquina de
lavar. Eu desliguei porque
eu senti algo estranho. Confesso
que fiquei com muito medo sai
sem olhar para traz. Se você tiver
consertado, você me liga.
Januário. Beijão Furacão!”

sábado, 18 de julho de 2009

Ontem.

É férias horas! Por um mês eu acordarei 11 horas com muito orgulho! O dia - para todos - devia funcionar a partir desse horário. E ainda sobra muito tempo para a gente estragar essa fração de 24 horas do tempo. Ontem eu repeti a rotina de casulo ambulante que assumia na minha adolescência. Não muito diferente, onze horas eu acordei. Abri os olhos, é melhor dizer. O processo de descer da cama demora mais outra hora. Nada de café, o almoço está pronto. “Marra esse cabelo para almoçar Mariana!” Minha mãe grita comigo. No espelho eu mesmo concluo: “Meu Deus que porcaria de juba!”. Antes de começar a pentear o cabelo, na privada, o meu mp3 – que já acorda na minha mão – resolve tocar Janis Joplin para mim. Perfeito! Com cabelo monstro que nem o dela que eu estava, eu nasci Janis nesse dia. Incorporei as profundezas de cada grito das músicas dela. E gente! Eu lembrava cada acorde, cada arrancada ganissada que a cantora dava em suas canções. Eu já quis ser Janis, e... na verdade, nem tem tanto tempo assim. Mudei foi nesses últimos dez meses, em que forças estranhas ocultas mataram a minha capacidade de me divertir sozinha e de fazer cover’s artísticos assim... do nada.

Pentear cabelo é uma coisa que eu não gosto. Você também odiaria se tivesse quase um quilo de cabelo na cabeça e de um tamanho enorme que quase alcança a bunda. Então, melhor coisa a se fazer é ir para o chuveiro, passar muito creme para pentear tudo e conseguir, enfim, aparecer em sociedade. A Janis interior murcha junto com a água que acalma os cabelos. Depois de resolvido o ‘hairproblem’, eu almocei. A minha mãe reclama de eu sempre almoçar em horas erradas, mas é que em Alfenas eu faço almoço só quando eu estou com fome. O que acho ser um procedimento honesto com o meu estômago que aceita qualquer tipo de comida, qualquer hora. Esse órgão se tornou uma figura safada do meu corpo que come por comer. O meu estômago nunca questiona se ele realmente está com vontade de comer e estarei trabalhando (gerúndio a la Betina Botox) para educá-lo nesse sentido. Diante da comida de mamãe é impossível resistir. A fome é falsa, o estômago continua safado. Vamos comer! A dieta, ou punição do meu estômago, eu início quando voltar para minha cidade universitária (Alfenas-MG). E essa fome de hoje não foi só para a comida da mamãe. Hoje eu decidi: Iria comer Divinópolis (MG)!

Por onde começar? Quem dividiria o banquete comigo?
Que nada! Assim como chocolate que é bom de comer sozinho - sem ninguém olhando ou desejando um pedaço precioso - eu gosto de apreciar minha cidade sozinha. E assim fiz. Na biblioteca pública, li um monte de crônicas atrasada da Takai no Estado de Minas. Depois desci alguns quarteirões para comer os 5 famosos pãos de queijo por 1 real da Dona Dica. Sentei no banco da Praça do Santuário e observei pessoas passarem apressadas e atrasadas. Há muito tempo não fazia isso! Em Divinópolis há ruas boas de andar, há calçadas elegantes, feito tapete vermelho que te deixam mais importante e até mais bonito. Eu gosto da Antônio Olímpio, da 21 de Abril e da Sete de Setembro em seus trechos centrais. Já a Primeiro de Junho é movimentada por gente sofrida de tanto trabalhar. Quando a gente passa por essa rua, lembra que a cidade não funciona só de coisas aprazíveis como pão de queijo e livros. Gente - de cara feia - demonstra estar cansada de pegar ônibus amarelinhos da Trancid. Será que se o ônibus ficasse cor rosa choque a Primeiro de Junho ficava mais otimista? Mudanças que logo se tornariam rotina.

Eu gosto da minha cidade. Nunca me preocupei em medir o quanto. Continuo não me preocupando. Só sinto. Hoje - morando, a maioria dos dias do ano, na nem tão ruim cidade universitária Alfenas (MG) - vejo como faz falta andar na rua e reencontrar olhares conhecidos. Em Divinópolis eu arrisco o olhar para dentro dos carros a procura de pessoas conhecidas, de amores conhecidos. E há lugares que trazem lembranças boas e há lugares que trazem lembranças ruins. Há degraus que sentei para namorar, há lojas que já comprei vestidos belíssimos na promoção. Eu sei achar tudo nesse lugar. Se me pedirem por uma rosca da parafuzeta, sei onde encontrar. Divinópolis é o terreiro do meu verdadeiro lar. É bom estar aqui!

A magia é minha.


Quarta feira, dia 15 de junho de 2009, três horas e meia da tarde. Sabe o que essa garota de vinte anos que vos escreve estava fazendo? Então, eu estava na fila do cinema comprando um concorridíssimo ingresso para ver o lançamento nacional de Harry Potter: O filme 6 da série. Isso depois de superar a frustrada derrota na tentativa de conseguir ingressos para a primeira sessão 00h01min, na madrugada de terça para quarta. Por desaforo, na primeira sessão do dia seguinte lá estava eu.

A fila tinha só crianças e adolescentes. Gente adulta e séria, mesmo fã da mágica história de J. K. Roling, não vai ao cinema 4 horas da tarde. Eu posso ser adulta, mas pessoa séria, nenhum um pouco. Por fim, lá estava Mariana com um pacote de pipoca na mão, enfrentando uma fila cheia de dobras e redobras. Tudo para assistir mais um episódio da bendita história que acompanhou a minha infância e adolescência. Não só a minha, de muitos outros.

Sinceramente, esse texto não é para adultos que nunca leram ao menos um livro ou que só viram os infantis filmes 1 e 2 de Harry Potter. Tem muito preconceito que surge contra esse best seller, tarjando-o como infantil - pela objetividade da linguagem - e até macabro. Engana-se quem pensa que a bruxaria da narrativa traz elementos de maldade. Há passagens nos livros que ainda reafirmam a importância de elementos como o Amor e a Amizade.

Uma história recheada de detalhes, de linguagem simples, com elementos que criam elos perfeitos entre os livros. Foi com Harry Potter que eu aprendi a ler, a viajar com a leitura. Foi com Harry Potter que a minha mente conseguiu ser melhor que qualquer super-produção Holliwodiana. Sim, este texto é de uma amante incondicional dessa fantástica literatura!

O primeiro livro eu li na sexta série (2000). Em três dias todas as páginas foram devoradas. E cadê? Acabou? Não tinha mais? Foi única coisa que, obcecada, procurei saber. Na época, se não me engane, o livro dois já existia. Em quatro dias o li. Depois, a rotina era esperar por todos os outros lançamentos com uma inquietude para saber o que aconteceria.

Mais livros veio. Os filmes começaram e a tara ficou dupla. Os potermaníacos só apareciam na sala de cinema para criticar que no filme tinha faltado isso, mudado aquilo. Nada que viesse da tela chegava aos pés do quê a mente de cada um que lia as obras antes criava.

O livro 6 - que inclusive é o que é retratado no filme que lançou essa semana – me fez chorar. Lembro direitinho o dia. Sentada no sofá da sala, a mamãe passa por mim para ir ao quarto e na hora que voltava para a cozinha ela se desperta por uma fungada. “Mariana! Você está chorando?!” perguntou. Estava mesmo. E pior, as lágrimas soltas molhavam as páginas do livro novinho do meu amigo que tinha tanto recomendo por cuidado.

Olha, eu sou chorona mesmo. Mas normalmente é filme e coisa triste real que me faz chorar. Agora, os textos e letras que fizeram brotar água dos meus olhos posso contar nos dedos de uma mão só. Definitivamente, a narração da morte de Dumbledore em Harry Potter foi uma dessas ocasiões.

Na quarta feira que se foi, me despi totalmente da armadura de mulher estudada, conhecedora de tantas outras literaturas consideradas úteis. Eu era uma criançona naquele dia, como todas as outras crianças ali da fila. E não deixaria de ser por nenhuma aparência que precisasse sustentar.

Enfim, mesmo conhecendo a história, sabendo do fim dela, mesmo decepcionada porque o filme não mostrava o velório de Dumbledore - com o Hagrid carregando o corpo enrolado num pano roxo estrelado e com o canto dos sereianos – estava lá, numa daquelas muitas poltronas vermelhas do CineRitz, chorando horrores no fim do filme.

sábado, 11 de julho de 2009

E eles? O que fazem com esses números?

O Mateus tem 10 anos. Ele é meu vizinho. Arteiro que nem ele, não existe! A sua mãe – mulher fraca, magra, mas brava na fé – põe o filho para rezar terços toda vez que ele faz alguma coisa errada. As penas variam de 1 a 3 terços. 1 terço para palavrões ditos e 3 terços, se ele arruma alguma briga de unha na rua. Essa é a regra da casa ao lado, mas na minha casa também se educa com números.

Eu moro num prédio onde também vive a família inteira por parte do papai. De primos, conto aproximadamente uns 10. Somos praticamente irmãos. 2 deles são rapazinhos, 17 e 19 anos. Idades de afloramento do instinto de safadeza masculina. O meu pai - nobre homem entendedor de finanças - chama os dois novos potenciais reprodutores da família para efetuar cálculos na mesa da cozinha. Calculadora sobre a mesa, o Rafa e o Carlos somaram, multiplicaram, fizeram suposições de inflação, juros simples, composto... e resultado: Um filho, até completar 18 anos, não fica por menos de 30 mil reais! Isso só com o pagamento mínimo da pensão, tirando consultas médicas extras e auxílio externo.

Resultado funcional: O Mateus parou com as agressões físicas e as agressões verbais ele anda fazendo baixinho. O Carlos falou que só vai pegar mulheres acima de 60 anos com afirmação de passagem pela menopausa.

O texto saiu meio Florbela Espanca, mas pode me espancar pela pretensão de ser essa poetisa.

Impressionante a capacidade que ela tem de matar as borboletas que se atrevem visitar o seu estômago.

É um medo sem igual do amor carnal.
Ninguém atravessa o limiar da boca naquele corpo.
A alma cautelosa permanece só,
a abraçar os amores infantis.

E cria príncipes pelo cheiro de um simples perfume.

Cria outros príncipes, simplesmente pela música que resolveu tocar de fundo em algum beijo.

Na pefumaria descobre a existência solitária de uma essência,
na rádio, a existência solitária de uma música,
no espelho, a existência solitária de uma princesa.

Quem é ela? Corto o meu pescoço e não conto quem é.

sábado, 4 de julho de 2009

Dolce & Gabbana & Mariana.

Olha só, em 20 anos de vida eu já fui muita coisa: Técnica em Eletricidade Industrial pelo Senai; Técnica em Eletrônica Industrial; Professora de Computação da primeira a oitava série; Professora de inglês; Professora de reforço; Protótipo de Bióloga; Professora de Biologia. Agora eu sou um protótipo de médica e seja o que Deus quiser!

Só que nessas minhas testadas (de bater com a testa) e esbarradas pela vida, teve uma coisa que eu comecei, não terminei, mas acho que teria futuro. A profissão de estilista.

Eu estudei numa escola Técnica que oferecia o curso de Vestuário concomitante ao Ensino Médio e comecei a fazer o curso. É que confecção é o forte da minha cidade (Divinópolis-MG) e formar costureira também. Seis meses se passaram e a diversidade de agulhas, linhas, máquinas e panos me estressaram bastante. Foi só começar as aulas de costura mesmo - que ensinava tipos de ponto e como usar máquina - que chutei o balde.

O fato é que a minha história pregressa indicava um talento para fazer roupas sem usar qualquer tipo de linha. Quadrados com dois furos para os braços.


Tudo tem suas justificativas. Então, lá vai as minhas justificativas.
Eu era criança, fêmea (ainda continuo fêmea), só ganhava bonequinhas nos aniversários. As amiguinhas só brincavam de bonequinhas e o jeito era se adequar às condições da sociedade infantil feminina. A sociedade infantil feminina da minha época - não muito diferente da que existe nos dias atuais - valorizava as esbeltas bonecas Barbies. Com o corpinho de modelo que todas tinham, a graça de brincar consistia em trocar a roupa da boneca, pentear o cabelo dela e levá-la para passear com o Bob (o boneco homem com topetinho estilo Elvis).

Roupa para Barbie eu comprava num bazar não muito perto de casa. Era 1 real cada vestido mais lindo! Assim como os meninos de hoje colecionam cards que vêm dentro dos chips de comer, eu colecionava roupas de Barbie. Arrumava cozinha para minha mãe para ganhar um real e comprar roupa de boneca. Algumas vestimentas a minha mãe costurava para mim e o guarda-roupas da Lady Suzy se tornava invejável.

Só que num desses acontecimentos brilhantes para uma criança (O aniversário, porque se ganha muitos presentes), eu ganhei uma boneca grávida - esbelta de qualquer forma - mas que tinha uma barriga removível e um bebê. Um bebê nu! Rsrs.

Não era de ficar fazendo partos toda hora nessa Barbie. Preferia ela sem barriga mesmo. Para vocês verem que não tem essa de talento precoce para Medicina em Mariana Martins. Só que uma coisa era problema nessa situação: O bebê, que eu não gostava de deixar dentro da barriga, não tinha roupa. Não se vendia roupa para ele no bazar. Então o jeito era pedir mamãe para costurar alguma coisa. Ela tinha pouco tempo e talento tadinha. Tomei uma iniciativa.

Agulha é um objeto indesejado nas mãos de qualquer criança. Sobrava tesourinha de ponta redonda e pano. Foi aí que desenvolvi a linha mais fantástica de todas: A de roupas sem costura. Na época, o baby da Barbie chegou a ter cerca de 50 peças no seu guarda roupas. Uma de cada cor! Cotom, Jeans, Xadrez, eram muitos os tecidos explorados. Hoje, enquanto arrumava alguns guardados antigos no meu guarda-roupas, só encontrei seis peças.

O bebê teve um fim trágico, que já narrei num outro texto nesse blog. Ele caiu no ralo do tanque de lavar roupa. Então os modelos da foto abaixo são brinquedos substitutos que o psicólogo me receitou comprar para sanar um trauma de infância.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mãos.

A minha mão tem dois cortes: um da lata de ervilha que abri ontem para fazer sopa, outro da couve que cortei antes de ontem. As unhas estão curtas, os dedos longos insistem em ficar pequenos nesse inverno. Mão encolhe? Sim, porque eu acho que a minha mão está encolhendo pelo uso. Engrossando talvez. Cresce para os lados, mas não cresce em tamanho.

A mão da minha mãe tem a pele molinha. Ela cheira alho na hora do almoço e creme na hora de ir à missa. Há machinhas pretas no dorso da mão dessa mulher. Acho que são das gotas endiabradas de óleo que pulam da panela em direção a mão dela. A mão da mamãe não é preguiçosa. Acorda cedo, passa roupa, descongela geladeira, poli a frigideira, trança o meu cabelo. Ao mesmo tempo em que sabe fazer coisas que precisam de força, também sabe fazer carinho.

A mão do vô era gorda, cumprida. Nunca vi mão mais grande! Eu lembro dele pousar a mão na testa, não sei se fugindo do sol, não sei se clamando de dor de cabeça. Já no final de sua vida ele enxergava pouco. A sua mão o guiava pelas paredes da própria casa. Uma vez, estava eu a pentear o cabelo sentada no sofá da casa dele. O vô se encontrava do meu lado e passou a mão numa mecha dizendo assim: Nossa menina! Você tem cabelo de mais! As lembranças terminam na primeira mão roxa que vi sobre um caixão.

A mão do peão era larga, grossa, mão de homem mesmo! De vez em quando a mão sungava uma fivela grande e dourada. Noutras vezes, ajeitava o chapéu para que, esse, ficasse alinhado ao olhar que ele usaria para me seduzir. Eram duas mãos bem usadas: Numa ele tinha uma corda imaginária para laçar moças desavisadas. Com a outra ele já agarrava a morena por traz e a levantava para que, sem pés no chão, ela reconhecesse que não tinha saída.

A mão do meu amor platônico é na verdade a mão que eu queria comigo para o resto da vida. Mão morena, grande também. Dizem que o tamanho do coração de uma pessoa é equivalente ao tamanho de sua mão fechada. O tamanho do coração dele é grande literalmente e poeticamente. A única vez que me aventurei com essas mãos foi estralando-as. Desajeito esse que deve ter contribuído com o fato dele jamais sonhar que um dia eu cheguei a gostar demais dos seus dedos, cutículas e pelinhos.

A mão da Aline (o bebê em que fiz um teste do pezinho) era uma miniatura mais que perfeita! Unhas: dois milímetros por dois milímetros. Pregas dos dedos resumidas. Certeza que a velhice aumenta a quantidade de pregas de uma mão. A mão da Aline era rosa. Não rosa choque ou rosa claro, mas rosa pele. E as pontas dos dedos da menina eram transparentes, consegui ver um capilar sanguíneo por ali.

As mãos são feitas de sangue e muitas vezes é o sangue que me permite conhecer uma variedade grande delas. Na minha rotina no postinho de saúde, a cada quarta feira eu furo aproximadamente dez mãos diferentes para avaliação de glicemia capilar (açúcar no sangue). Tem mão medrosa que arruma uma tremedeira grande, só de me ver arrancar a agulhinha da maleta. Tem mão que é tão grossa que precisa de agulha especial ou dois furos. Tem mão pequena, grande, fina e forte. Mão suja, limpa, seca e molhada. Mão machucada, mão bem cuidada. Mão que faz o bem, mão que faz o mal. Mão sem dedo ou com dedos a mais. Branca, preta, amarela de susto, vermelha de limpar batom. São muitas mãos!

“Deve haver alguma coisa que ainda te emocione.”

E quando nada mais parece poder te impressionar, é necessário ver um campo com girassóis a se perderem de vista.


Trevo da cidade de Boa Esperança - MG. O caminho de Divinópolis a Alfenas fica cada vez mais bonito!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bontando um pingo no Y.

Opa, eu vi meu nome escrito na bunda do mosquito.

E tudo começou porque eu comentei assim no blog dele:

"Certeza que vc é um cara feio, não cata mulher nenhuma e precisa de um espaço para desabafar"

Depois ele veio perguntar se eu sou puta ou princesa e escreve mais um texto típico de um pinto desiludido.

Agora a resposta dele, e no território seguro do meu blog. Ou não tão seguro assim.

Ah meu caro, não implique comigo só porque te chamo de feio e você lê no meu blog apenas um péssimo texto sobre como fabricar bolinhas de silicone. Aliás, apesar de péssimo, tais coisinhas redondas lhe seriam úteis para tacar no rabo das suas putas e melhorar o seu animalesco momento de usufruto de um buraco. Infeliz de você que se contenta com tão pouco.

Olha, eu tenho vinte anos e desculpa se tenho mais vida para viver que você. Mas, sinceramente, o motivo foi muito pouco para você arrancar um desajeitado e imaturo insulto de “criancinha” contra mim. Não discordo da maioria das argumentações que escreveu no seu blog. Existem muitas citações interessantes. Se não me despertasse um mínimo interesse, eu não teria desperdiçado tempo para comentar.

Mas vem cá, eu tenho o direito de te odiar por detonar as minhas possibilidades de encontrar um príncipe encantado ahn?

E respondendo sua pergunta, não sou nem puta nem princesa. Não é da sua conta, não é para o seu bico. É que eu tenho carro, viajo sozinha, e também tenho dinheiro para pagar por sexo se eu quiser.
(Apesar de mulheres não precisarem de dinheiro. É só abanar a mãosinha!)

O fato é que realmente eu procuro algo mais meu querido! Por que eu sou mulher? NÃO. Porque sinceramente eu acho uma incompetência muito grande para o homem ter uma cama vazia e precisar de buracos diferentes todas as noites. Assim como é uma incompetência a mulher servir só de buraco.

Não são idéias românticas que eu quero defender. Eu não sou romântica. Para mim tudo gira em torno de reprodução.
Os seus genes só pensam naquilo. Claro! Se não você usava o buraco de algum amigo desmunhecado. Aliás, uma boa alternativa de buraco úmido para você Y.

Você é Hedonista porque seu gene quer ter um monte de filho nesse mundo. E você mesmo acabou de escrever coisas que concordam com isso. “A mulher gasta horrores se produzindo porque ela quer reproduzir”. Que descoberta legal! (ironia)

Esse assunto não é nem um pouco inédito. Aliás, reproduza o livro “Guerra de espermas” no seu blog e assim você terá o que postar com frequência.

No mais, mesmo com suas teorias que tentam ser a descoberta mais fantástica do mundo, continue postando. Você faz um bem para a humanidade. Muitas outras adolescentes vão te seguir. Mostre a elas como um pau túmido (que palavra exótica!) pode ser engraçado e um objeto mais que ridículo.

Sem mais considerações hostis caro Y. É que não é muito bom discutir com uma letra enquanto meu nome aparece em outdoor.

sábado, 13 de junho de 2009

Criando bolinhas.

Eu descobri essas bolinhas na minha manicure: A dona Elaine. Saudade que eu estava dela gente! Oh moça boa para deixar minha unha grande! Mas voltando as bolinhas. Descobri elas num vaso de flor que ficava na mesa dos esmaltes. O vaso era de vidro, as flores eram amarelas, os esmaltes eram coloridos, as bolinhas eram coloridas a minha unha estava ficando colorida.

Cada semana que fazia unha, tinham bolinhas de uma cor diferente lá. A cor do meu esmalte era ditada pela cor das bolinhas. No começo eu pensei que era bolinha de gude, mas uma bolinha de gude é uns dez centavos e como assim ela tinha um monte de bolinhas de gude e de todas as cores? Foi o que me perguntei. Mas o que me levou a descobrir a Maravilha das bolinhas que engordam, foi o pacotinho que eu descobri nessa última vez que fiz unha. Estava perto do já falado vaso da Dona Elaine.

Mistério solucionado: As bolinhas eram cristais mágicos de água que agente pode comprar em qualquer loja de 1 real.

Nesse sábado eu criei um montão de bolinhas. Bolei uma guerrinha com os meus primos usando elas. Joguei uma na testa da minha irmã, espatifei um monte nos dedos e agora vos escrevo extremamente satisfeita com possibilidades terapêuticas que essas coisinhas redondas podem trazer.
É por isso que posto agora - para os meus leitores estressados - um tutorial em sequência de imagens sobre como criar bolhinhas.

[Só uma observação breve: As fotos têm a participação especial das mãos da minha madrinha. Hehe]
Clica na imagem e a amplie!