domingo, 23 de março de 2008

Oh Flexura Hepática do Meu Colo Transverso!

[Texto de minha autoria. Se for copiado ou republicado, por favor indicar os créditos.]
_Você não vale nada sua... sua Apêndice Vermiforme!

_Que isso! O que aconteceu? Eu e você éramos como Membrana Basal e Hemidesmossomo!

_Sim, éramos, mas há uma Epidermolise Bolhosa que nos divide.

_Ingrato! Eu confiei em você como Miosina confia na Actina.

_Eu cansei de ser um Condrócito. Eu quero ter vasos sanguíneos!

_Quer ser livre? Adquira um Esterno em formato a Quilha.

_Ah é sua... sua Glândula Túbulo-Acinosa Composta!!!!

_É que você é um Astrócito e se acha atro.

_Só porque tu tens Grânulos de Zimogênio que tu tá se achando neh?

_Ah não! Grânulos de Zimogênio não!!! Apelou? Apelei também! Sua mãe é uma Cupressaceae!

_Seu pai é uma Papila Fungiforme!

_Você não tem substancia nenhuma cara! Alécito de uma figa.

_E você tem neh? Telolécita!!!

_Que involução meu Deus! Só podia ser esse Corpo Lúteo.

_Se você morre de inveja só porque eu sou um Floema Secundário e tu um Floema Primário, me poupa tah?

_Olha aqui, você faça Clivagens Holoblásticas para chegar aos meus pés, ok?

_Eu já sou uma Gástrula!!

_Ah que boiolagem! Ele acaba de afirmar que é uma Gástrula...ha ha ha.

_Ah mulher! Eu vou remover seus Linfonodos e você vai ficar para sempre cheia de hematomas.

_Eu te denuncio para as Sinapses.

_Baixa, sórdida, Wuchereria bancrofti!

_Quíton!

_Hirudínea!

_Metanefrídio!

_Triatoma!

_Samambaia com Báculos!

_Suberina!

_Pneumatóforo!

_Flexura Hepática do Meu Colo Transverso!

_Ah que Probóscide mais suja! Não vou ficar discutindo com você. Agora sou eu quem quero divórcio. E homem, sabe o que você faz? Vá tomar no seu Proctodeu!

domingo, 16 de março de 2008

sábado, 15 de março de 2008

"São as águas de março fechando o verão".

Para alguns, a chuva é uma benção. Para outros, um motivo para avacalhar um invejável passeio. Como São Pedro não nos dá opção de escolher por “chova” ou “não chova”, o melhor é aproveitar a vontade dos céus na melhor maneira possível. E a pergunta que não quer calar: Qual a melhor maneira possível?

Pensei em escolher uma companhia para ficar no sofá embrulhadinha, executando os menores movimentos possíveis. E o trecho sonoro que embalaria os dois corpos com certeza seria: “...e assim a gente não sai, que esse sofá está bom de mais, deixa o verão p’ra mais tarde” (Deixa o Verão – Los Hermanos).

De súbito recordo que, todas as possíveis companhias que eu poderia ter se afastaram de mim no último verão. Algumas estão longe... tão longe que jamais compareceriam ao meu sofá.

A alternativa é aproveitar a chuva sozinha. Talvez veja Pearl Harbor pela décima quinta vez, mas não estarei chorosa nessa tarde. A opção seguida surge naturalmente.

Começo por um banho quente, sem essências exóticas, só resolvo usar um sabonete novo que ganhei no último aniversário. Verde, combina com minha toalha. Na sala toca, em volume médio, Alanis Morissette. “Ironic” me transforma em diva da música!!! É o meu dia.

Na cozinha arrisco fazer algo. Leite na panela é só raspar a barra de chocolate amargo e mexer. Meu chocolate quente está pronto!!! Uhnn... Usando um roupão quentinho, pantufas laranja, é só ir para a sala e me deliciar desse divino ócio.
Gracias God!!!

"Ela sabe muito bem o que quer...e vai a luta"

As criaturas com as quais eu e minha irmã dividimos nossa infância.
(Agradecimentos à Manu que me emprestou a máquina fotográfica. Thanks!!!).

Sábado passado - dia 08 - foi dia Internacional das Mulheres. Mas não é para dar parabenizações atrasadas que venho nessa edição. Primeiro que, dias do calendário só são dedicados às minorias: Dia do Índio (18 de abril), Dia da Consciência Negra (20 de novembro)... e por aí vai.

Não adianta, vir com história de que morreram 150 mulheres numa fábrica e por isso o Dia das Mulheres existe. E os milhares de homens que morreram em guerras? Não mereceriam um dia no calendário?

Danem-se os homens também. A trajetória machista é justificativa suficiente para excluí-los do calendário.

Deixem-me, pois, esclarecer o propósito desse texto. Hoje, vou dar uma de Super Nany e ensinarei como se criam mulheres argutas, inteligentes, finas, elegantes, fortes, vivas... opa, opa, empolguei...kkkk. Mas enfim, mulheres que sejam mais felizes e que façam do Dia Internacional das Mulheres uma exceção: um dia dedicado às maiorias.

Primeiro passo para criar uma filha mulher. Quais tipos de bonecas permitir que elas brinquem? Barbie? Bebezão? De pano?
A Super Mariana indica: As bonecas ideais são as feias, do cabelo crespo, com sarna, narigão e boca torta.

A lógica psicológica (uau!) disso é muito óbvia. Se você cria sua filha com bonecas Barbie, por exemplo, é certeza que ela vai ser frustrada quando crescer. O padrão de beleza que a criança constrói é praticamente inatingível: Cabelo liso e loiro + cintura fininha + peitão + pele lisa + sorriso perfeito + namorado estilo Elvis Presley...
... e quem garante que esse modelo de beleza é o correto a ser seguido? Eu respondo: São as mesmas mães retardadas que compram panelinhas e fogãosinho para suas filhas. Com certeza porque querem transformar suas garotinhas em mestras de cozinha. Longe dessas educadoras pensar que estão criando escravas da pia.

A Revista Super Interessante, em determinada edição, levantou um estudo que constatava que as mulheres são mais afetadas por problemas estomacais e urinários que os homens. Uma das justificativas, que a própria revista apontou, é que a criança do sexo masculino quando com vontade de fazer xixi na rua, por exemplo, é até incentivada à fazer sua necessidades em qualquer canto. A menina não. Tem que ficar segurando a urina até chegar em casa ou até achar um sanitário disponível.

Outra dica da Super Mariana, na verdade da Super Interessante: Deixe sua filha urinar na rua. Esse negócio de poluir o ambiente público é muito nojento e até errado, mas por que menino pode e menina não pode? Faça uma “cabaninha” para sua filha, fure o preconceito e evite futuros problemas de saúde que ela poderia ter.

Senhoras, por favor, não se choquem! A problemática que cito é para mobilizar pais e mães da necessidade de mudar alguns tabus sociais através de coisas simples. Seja administrando os brinquedos que brincam nossos filhos, seja mudando pequenas hipocrisias, como impedir uma criança de fazer xixi por causa de bons modos.

A questão é que as leis de sobrevivência são válidas para ambos os sexos. Não só homens deveriam brincar de carrinho - depois não se pode reclamar que mulher dirige mal ou não tem ambição por carro.
Não só mulher deve ter afinidade com panelas - nem todo homem tem a sorte de encontrar alguém para cozinhar, lavar e passar para ele.

Muita coisa deve mudar. Que os próximos Dias Internacionais da Mulher eu tenha orgulho de ser uma.

Tílulo: Trecho de "Ela sabe". Engenheiros do Hawaii.

domingo, 9 de março de 2008

Taras de biólogos são assassinas II...



Meu povo e minha pova!!!!
Por causa do tempo que já gastei com a mudança de host esse final de semana, não tem texto hoje ok?
Semana que vem estamos aí de novo. De cara nova, mas com a mesma falta de vergonha de sempre.

Espero que tenham gostado.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O biólogo-cartunista.

Dos muitos cartunistas que dão o ar da graça nas tirinhas da Folha Ilustrada, um, indubitavelmente talentoso, é Fernando Gonsales.

O cara tem uma perspicácia muito grande para fazer humor. Raro uma tirinha sem contexto ou sem graça, como é comum em muitas das que são publicadas nesse jornal.

Lógico que, a imparcialidade me acomete nesse julgamento. As tirinhas são recheadas de conhecimentos biológicos.
Fernando Gonsales é formado em Veterinária e Biologia pela USP. Mas não é na biologia implícita dessas tirinhas que encontramos o segredo da qualidade do trabalho de Fernando. Ele realmente tem um talento especial para usar de pequenos detalhes e transformá-los em humor.

Todos os animais deviam ficar com medo desse talento. Principalmente nós humanos, que somos, na maioria das tirinhas, questionados de nossa superioridade sobre outros animais.
Falando em humanos, o próprio cartunista escreveu num site: “Com uma população de 6 bilhões no mundo, alguns humanos acabam entrando em histórias só de animais. Aliás, quem disse que humano não é animal?”.

Lendo um pouco mais sobre Fernando, contudo, pude ratificar a regra de que “todo biólogo é doido”. Na wikipédia fala que esse biólogo-cartunista criou uma pulga quando era criança. Ele alimentava o inseto com seu próprio sangue, encostando o vidrinho que o continha na barriga.

Por essa admiração tamanha que eu tenho pelo trabalho desse homem e pela proximidade de locura que eu encontro em semelhante com ele, vou, sempre que puder, publicar algumas tirinhas nesse blog.

Hoje eu deixo para vocês quatro tirinhas da barata, quer dizer, do barato Fliti.

Fernando nos apresenta esse personagem: “As baratas agüentam radiações maciças, altas temperaturas, pressões absurdas. Mas o barato Fliti curte mesmo um bom Baratox de ação prolongaaaaaaaada.”

Enjoy.

Clique aqui para ampliar a imagem: http://bit.ly/c6MTbg

domingo, 2 de março de 2008

Um pouco de miopia e um copo de água pura.

Encontrar um velho amigo na rua de repente pode ser um evento agradável para muitas pessoas. Não para o míope.

Normalmente, quando duas pessoas muito conhecidas se encontram ao longe, elas já se abrem num sorriso receptivo e quando muito, correm para promover um encontro. Com o míope o encontro é meio pela metade. Uma pessoa só sorri. Não é o míope é claro, porque ele não enxerga ninguém à distância.

Engraçado mesmo é quando vem um ser frenético na direção do míope e ele só o percebe minutos antes de ser sufocado com um abraço. O míope pensará assim: “Que assédio é esse meu Deus?!”.

Às vezes o míope é chamado de mal educado. Um anti-social que não faz questão das pessoas.

Em razão do ultraje, da afronta aos míopes desse Brasil, senão do mundo, venho, como representante legal dos afetados por miopia, redigir um manifesto em defesa de nossas ações.

Em primeiro lugar, o míope não é cego. Nem quase isso. Muito pelo contrário, míopes têm super visão. Uma visão em que as imagens se formam antes da retina. Ou seja, as imagens são mais apressadinhas para se formarem. Elas têm o poder de otimizar a distância do olho.

Não são poderes mágicos não, mas fazem grandes milagres algumas vezes. Querem ver?

Míope segue a risca essa coisa de analisar a beleza interior das pessoas. Porque o míope enxerga todo mundo bonito, quando enxerga. Digamos que o vulto que ele enxerga esconde as espinhas do rosto e demais defeitos mínimos aparentes.

Se todo mundo fosse míope ninguém se preocuparia muito com beleza.

Míope aproveita melhor seu tempo e tem mais auto-estima. Beleza é perda de tempo e não ser belo fere a auto-estima.

0,2 % da população mundial (mais uma estatística que eu invento) são naturalmente belos fisicamente. O resto das pessoas ficam belas só quando se arrumam ou se cuidam.

Se arrumar e se cuidar gasta tempo e dinheiro. Quem é míope não precisa se preocupar com isso. O míope não vê meleca no nariz, não vê estria, não vê se cicrano está ou não de chapa, não vê que olho do fulano é torto, não vê que a unha do pé está mal feita... E convenhamos, ver essas coisas é realmente importante?

Viva a miopia! Benditas sejam as pessoas que nasceram ou adquiriram a graça natural de não ligar paras imperfeições físicas do ser humano.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

“Um dia desses, num desses encontros casuais”

Um pouco de poesia e literatura numa tarde insólita da capital de Minas. Com certeza faria bem a qualquer um de nós. Mas o prazer é para poucos. Só para os têm bons contatos e tempo de se deliciar numa prosa como a que aconteceu nesse dia.

Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino e Otto Lara Resende. Os amigos que serviram de inspiração para compor o livro “O encontro marcado” foram os personagens dessa ociosa tarde. Só sol do pós-meio-dia atrapalhou o nobre encontro.

A menina do interior foi muito bem recebida pelos quatro escritores. Apresentaram-lhe a Praça da Liberdade. Não deram muita atenção à curiosidade da garota em conhecer a Biblioteca Municipal. Compreensível. Eles eram bibliotecas vivas.

O simples cão que passou perto de nós motivou poesia. Paulo se assustou com o cachorro e disse:

"A meu avô Cesário devo este horror pelos cães, o pescoço musculoso, o riso acima de minhas posses, o pressentimento de uma velhice turbulenta (...)
(...) A minha avó Margarida, a maneira leve de pisar e fechar portas.
A Minas Gerais, a minha sede, o jeito oblíquo e contraditório, os movimentos de bondade (todos), o hábito de andanças pela noite escura (da alma, naturalmente), a procrastinação interminável, como um negócio de cavalos à porta de uma venda." (Meditações Imaginárias)

Nenhum dos presentes - exceto a menina que se alagava no próprio suor - se incomodavam com o sol. Pareciam ser de bronze e tinham uma disposição estranha para permanecerem naquele lugar o tempo que fosse.

Hélio Pellegrino veio confirmar essa intenção de ficar ali noite adentro. Apostava que a garota só suportaria o sol do meio dia:

“Quanto você faz 20 anos está de manhã olhando o sol do meio dia. Aos 60 são seis e meia da tarde e você olha a boca da noite. Mas a noite também tem seus direitos. Esses 60 anos valeram a pena. Investi na amizade, no capital erótico, e não me arrependo. A salvação está em você se dar, se aplicar aos outros. A única coisa não perdoável é não fazer. É preciso vencer esse encaramujamento narcísico, essa tendência à uteração, ao suicídio. Ser curioso. Você só se conhece conhecendo o mundo. Somos um fio nesse imenso tapete cósmico. Mas haja saco!" (Carta a Fernando Sabino, revista pelo Hélio Pellegrino ao fazer 60 anos).

Hélio Pellegrino acerta em cheio na aposta. A menina não consegue mais suportar aquele sol. É uma reles mortal que ainda tem muito que fazer para ser imortalizada num pedaço de ferro. Um dia ela vai poder resistir - como eles - à noite que avança. Fernando Sabino quer um sorriso de despedida.

A menina “vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso”. (A Última Crônica)

Fernando Sabino agradece:

“(...) Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.” (A Última Crônica)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Aconteceu há três anos...

Numa aula de catequese, quando lecionava sobre Quaresma, perguntei para as crianças o que elas entendiam dessa palavra. Um catequizando respondeu:

“Quaresma são quarenta dias e quarenta noites... (começou bem, pensei comigo)
... que Jesus ficou pregado na Cruz”


Coitado!!!
De Jesus, não do catequizando.

Uma apologia ao que deveria ser o poder.

Trechos de uma conversa do Rei Artur com seu soldado Derfel.. Retirados do Livro “O Rei do Inverno” de Bernard Cornwell. As Crônicas de Artur Volume I.

“O serviço de um soldado, Derfel, é lutar batalhas em nome de pessoas que não podem lutar por si mesmas. Aprendi isso na Bretanha. Este mundo miserável é cheio de pessoas fracas, pessoas sem poder, pessoas famintas, pessoas tristes, pessoas doentes, pessoas pobres, e a coisa mais fácil do mundo é desprezar os fracos, especialmente se você é um soldado.

Se é um guerreiro e quer a filha de um homem, simplesmente pega-a; se quer a terra dele, simplesmente mata-o; afinal de contas, você é um soldado e tem uma lança e uma espada, e ele é apenas um homem pobre e fraco com um ancinho quebrado e um boi doente, e o que vai impedir você?

Mas a verdade, Derfel, é que somos soldados porque aquele homem fraco nos torna soldados. Ele planta o grão que nos alimenta, ele curte o couro que nos protege e corta o freixo que faz nossos cabos de lança. Nós lhe devemos nosso serviço.

Há um propósito em todas as coisas, até em ser soldado.
Temos a chance de fazer uma Dumnonia (Reino da Britânia em 480 d.C.) onde possamos servir ao nosso povo. Não podemos lhes dar felicidade, e não sei como garantir uma boa colheita que irá torná-los ricos, mais sei que podemos deixá-los em segurança, e um homem seguro, um homem que sabe que seus filhos vão crescer sem ser levados como escravos e que o dote de sua filha não será arruinado pelo estupro cometido por um soldado, é um homem com mais probabilidade de ser feliz do que um homem que viva sob a ameaça de guerra.

Odeio a guerra. Por acaso sou bom em guerrear, talvez você também seja, e isso só significa que temos de usar essa capacidade com sabedoria.

... não teremos paz enquanto lutarmos entre nós. Não poderemos ter paz se rompermos nossos tratados.”

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Cada coisa que recebo por e-mail...

"O filho pergunta ao pai:

- Pai, Ferrari é um carro vermelho, que tem um cavalinho?

- Exatamente, meu filho, por quê?

- Porque acho que vi um. Acabou de passar pela gente."